GSF: secretário de Energia de São Paulo defende empréstimo para auxiliar geradoras

Executivo diz que as empresas não têm capacidade de absorver um impacto adicional de até 5% de sua garantia física

O impacto do GSF sobre os geradores deveria ser mitigado por uma solução semelhante à adotada para as distribuidoras. Essa é a opinião do secretário de Energia do Estado de São Paulo, João Carlos Meirelles. Em sua avaliação o governo federal deveria colocar o mercado financeiro para socorrer dessa vez os geradores que estão expostos ao MRE e, ao mesmo tempo, adotar o limite máximo de 5% para o déficit de energia para essas empresas.

“Estou muito preocupado e estamos tratando com o ministro de Minas e Energia”, disse Meirelles após sua participação na Enersolar+Brasil 2015. “Temos uma alta performance em nossas usinas da Cesp e da Emae e estamos sendo penalizados com a redução da geração hidrelétrica no país”, criticou.

Em sua avaliação a alternativa viável é dividida em dois momentos, o ônus já realizado deveria ser coberta por um empréstimo bancário assemelhado ao que foi promovido para o segmento de distribuição, mas com carência de três anos para o início de sua liquidação. Contudo, disse que o consumidor não deveria ser onerado ainda mais este ano. Segundo ele, a linha de crédito às geradoras poderia envolver a criação de um fundo para o pagamento desse empréstimo.

Segundo o representante estadual, a segunda parte dessa solução passaria pela limitação do impacto em 5%. Para ele esse é um indicador normal e factível para o setor elétrico e representa o risco estrutural do sistema. Além disso, as empresas deveriam ter um mecanismo que mitigasse o impacto sobre suas contas. Inclusive, a proposta que mais agrada ao governo federal, de ter os 5% do risco do sistema mais 5% não é bem visto pelo secretário estadual. “As empresas não aguentam esses 5% adicionais”, alertou.

A proposta é encarada como uma ameaça ao investimento em novas usinas para a expansão do sistema elétrico. Até porque há insegurança quanto aos impactos sobre o setor já que o país tem financiado a geração de usinas térmicas com perfil de operação em horário de ponta na base do sistema em função da centralização do despacho realizada pelo ONS.

“Estamos impedidos de gerar porque o ONS determinou e estamos com térmicas de ponta operando na base, é insustentável”, acrescentou. Até por esse motivo o governo aguarda a decisão da Justiça quanto ao pedido de liminar que possa proteger as duas estatais contra o GSF assim como já existe decisões que favoreceram PCHs, geradoras associadas da Apine e a UHE Santo Antônio. Para Meirelles, se o problema não ser resolvido acabará recaindo apenas sobre a Eletrobras.