Energia representará mais de 50% do custo de produção de cloro e soda em 2015

Avanço é classificado como inviável para a competitividade da indústria que já apresenta queda da produção de 2,1% até maio

O segmento de cloro e soda está contando as horas para ver o aumento do peso da energia elétrica sobre os custos totais de produção do setor. Atualmente esse índice é de 46% mas deverá se elevar a um patamar acima de 50%, principalmente pela elevação dos encargos, em especial a CDE. Esse patamar, se confirmado, ficará em cerca de 10 pontos porcentuais acima do nível histórico do setor, que utiliza o insumo como matéria prima, já que o cloro e a soda cáustica são produzidos a partir do processo de eletrólise. “Nos últimos anos o impacto da energia no custo de produção tem sido maior. Isso, não é porque os demais custos recuaram, ao contrário, aumentaram, mas a energia teve um custo mais elevado ainda”, explicou o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados, Martim Afonso Penna.

Se a situação no ano passado já era de sinal amarelo quanto ao desempenho do setor, em 2015 o cenário está pior, avaliou o executivo em entrevista à Agência CanalEnergia. Além da tarifa da energia e sua elevação na composição dos custos de produção, ao mesmo tempo há a piora do cenário econômico. Com essa combinação, o resultado de janeiro a maio é de queda da produção de 2,1% em comparação ao mesmo período de 2014. E, segundo o que relatou Penna, os dados preliminares de junho e que ainda não foram contabilizados pela entidade, deverá ser ainda pior e elevar a queda da indústria.
Essa impressão, contou, vem do uso da capacidade instalada que está menor que o mínimo indicado. O ideal para o segmento é o uso de algo em torno de 90% da capacidade de uma planta industrial. Até maio esse patamar está em 82%, ou 3,2 pontos porcentuais abaixo do que foi registrado no mesmo período do ano passado.
Entre 2003 e 2013, o segmento registrou um crescimento da produção abaixo do patamar médio do PIB nacional. A atividade industrial do setor avançou 1,2% ao ano enquanto a economia nacional apresentou desempenho positivo médio de 3,5%. Esse descompasso é creditado pela Abiclor à ausência de uma política industrial com foco no custo da energia que é fundamental para o segmento por ser uma matéria prima vital para a produção. “O que ocorreu com isso foi o avanço das importações”, apontou Penna.
Uma grande parte das indústrias do setor tem demanda de energia contratada no mercado livre. Mas cerca de 60% e toda a capacidade produtiva nacional é atendida pela Chesf e estão concentradas em duas empresas a Braskem e a Dow, que tiveram o fornecimento de energia a um custo mais baixo que o encontrado no mercado assegurado pelo governo. Segundo Penna, apesar de ter um custo mais elevado do que se tinha até o vencimento desses contratos, a extensão do acordo tirou uma grande preocupação do segmento.
Já no ano passado a entidade havia demonstrado sua preocupação quanto ao custo da energia no setor. Tanto que a perspectiva era de que as fábricas poderiam até encerrar as atividades. A conclusão foi baseada em um estudo encomendado à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). À época já apontava para o peso de 46% no custo de produção ante a atual estimativa de se fechar o ano com um patamar acima de 50%.
O cenário em outubro do ano passado era semelhante ao atual, onde o custo da energia fornecida pela Chesf era de R$ 100 a R$ 120/MWh e o preço da energia no mercado livre estava em algo próximo a R$ 400/MWh, um pouco acima do PLD máximo de 2015. De acordo com Penna, o problema no momento volta-se para as demais empresas que também precisam de energia para serem competitivas. A solução ainda passa pelo acesso à energia cotizada das usinas cuja concessão venceu.
“Estamos trabalhando no sentido de sensibilizar parlamentares da frente parlamentar mista da indústria química sobre a necessidade do setor ter acesso a essa energia que virou cota. E também a questão semelhantes à da Chesf e Sobradinho que teve suas cotas direcionadas para a indústria no Nordeste. Para nós é fundamental que a CDE seja revista e ajustada para retirar o peso do setor, da forma que está é inviável”, acrescentou ele que defende a retomada de um plano de saneamento básico no país para incentivar o consumo dos dois principais produtos do setor.