Engie defende tratamento diferenciado às usinas do Madeira

Companhia aguarda nova posição da Aneel e alerta para o risco de se cobrar uma conta impagável de Jirau

O presidente da Engie Brasil, Maurício Bahr, defendeu que as hidrelétricas do rio Madeira tenham um tratamento diferenciado pela agência reguladora. Ele espera que a Aneel tenha sensibilidade para encontrar uma solução equilibrada para equacionar a questão dos atrasos das usinas. Em entrevista à Agência CanalEnergia, o executivo destacou os desafios que foram enfrentados pelos empreendedores para construir esses dois projetos na Amazônia e alertou para o risco de se cobrar uma conta incapaz de ser paga pelo projeto. 

"Precisamos reconhecer como é um projeto estruturante, inovador, de dimensões enormes. Talvez não tenha acontecido nem para o governo nem para os empreendedores da forma como se esperava. Diversas dificuldades foram transportas”, disse. Para ele, é preciso pensar em uma solução que não iniba os futuros investimentos em hidrelétricas. “Esperamos que haja um entendimento de que esses projetos precisam ter um tratamento diferenciado para que continue havendo empreendedores com coragem de fazê-los no futuro." 

A Engie, ex-GDF Suez, é uma das sócias da Energia Sustentável do Brasil, controladora da usina de Jirau (RO-3.750MW). Em abril, a Aneel negou aos construtores das hidrelétricas Belo Monte, Santo Antônio e Jirau o reconhecimento de excludentes de responsabilidade pelo atraso das obras. Atualmente, Jirau está com 33 turbinas em operação, somando 2.100 MW de capacidade instalada. "O consumidor está tendo um benefício enorme no momento que está tendo energia confiável e barata", disse Bahr. "O consumidor está se beneficiando desses projetos e não é matando-os que você vai causar benefícios para o setor elétrico no longo prazo."

O executivo lembrou que o equilíbrio do setor elétrico exige que as ações sejam tomadas olhando para o longo prazo. "Não adianta olhar uma fotografia atual e imaginar que penalizando o empreendedor você está fazendo um benefício ao consumidor. Pelo contrário, no longo prazo não haverá investidor com coragem para fazer investimentos dessa natureza."  "Espero que a diretoria da Aneel tenha essa sensibilidade de encontrar um caminho adequado. Estamos aguardando o pronunciamento da Aneel de um prazo para discutir esse assunto."

Questionado sobre o atual cenário político e regulatório para se investir no Brasil, Bahr lembrou que grandes projetos passam por diversos governos e que é preciso se estabelecer um ambiente de confiança para o empreendedor. "A gente precisa ter um norte e acreditar no país, na capacidade de fornecimento e na segurança dos aspectos regulatórios. Esse é um tema muito importante."

"Hoje a gente está vivendo, além de uma seca, um conjunto de coisas que levaram a atrasos de obras de linhas de transmissão, causando esse desequilíbrio. Esse desequilíbrio precisa ser bem tratado pelos agentes, pela agência reguladora, pelo ministério. A partir do tratamento desses desequilíbrios e de aprimoramento das regras do setor, a gente vai conseguir sair dessa situação e reabrir uma janela de investimentos", concluiu.