PSR estima que Brasil manterá bandeira vermelha ao longo de todo o ano

Chances de que recursos arrecadados não sejam suficientes para cobrir custos variáveis são de 92% segundo cenário ajustado da consultoria

A PSR estima que o país manterá a bandeira tarifária vermelha ao longo de todo o ano de 2015. A probabilidade reportada é de 100% na mais recente edição do Energy Report da consultoria, que aponta essa manutenção tendo como referência o PMO de maio de 2015, mas com ajustes considerados pela PSR na expansão da oferta. Nessa conta estão atrasos na entrada em operação comercial de alguns projetos e mantém a geração plena de todo o parque térmico até o final do ano.

Sem esses ajustes, a probabilidade de bandeira vermelha se mantém na casa de 46% em julho, recua para 35% em agosto e setembro, cai para 32% no bimestre seguinte e chega a dezembro a 24%. Esses dados também levam em conta os dados do PMO de maio. Já a probabilidade de bandeira verde é inversamente contrária à vermelha, chegando a 59% no mês de dezembro, enquanto a amarela fica em 17% no último mês de 2015.
A consultoria iniciou a divulgação do Bandeirômetro Tarifário no ER deste mês. A metodologia do cálculo considera o conjunto de dados do PMO de maio, nesse caso, simulado com o modelo SDDP, considerando os atrasos de projetos e geração térmica na base. Porém, a empresa realizou simulações com dois cenários, com os ajustes e sem os ajustes, apenas com dados oficiais do PMO. Para ambos é feita a simulação comercial utilizando as regras de contabilização da CCEE, GSF, custos dos contratos e outros, no modelo SCE. A PSR explicou que a simulação comercial desconsidera os limites de repasses regulamentados pela REN 595/2013.
Ainda este ano, de janeiro a abril, há R$ 1,7 bilhão que não foram cobertos pelas bandeiras tarifárias. Foram arrecadados cerca de R$ 3,9 bilhões com essa cobrança nos quatro primeiros meses do ano. Mas, os custos variáveis registrados pelas distribuidoras alcançaram R$ 5,6 bilhões. A PSR lembra que uma parcela destes custos, R$ 58 milhões, já foram repassados para a tarifa nos últimos ajustes, mas que a grande parte deverá ser compensada via CVA nos reajustes futuros.
Já na previsão de custos e recursos das bandeiras tarifárias de maio a dezembro de 2015 diverge na comparação entre o que se espera entre as simulações com e sem o ajuste da PSR. Como a probabilidade é de que se mantenha a bandeira vermelha ao longo do ano segundo a projeção ajustada da consultoria, a expectativa é de que as bandeiras levem a uma arrecadação de R$ 16 bilhões enquanto sem os ajustes esse valor estaria em R$ 10 bilhões.
Essa simulação, alerta a PSR, mostra que haveria 92%de chances dos recursos arrecadados pelas bandeiras não serem suficientes para compensar os custos variáveis projetados. Já no caso sem o ajuste, essa chance está em cerca de 40% dos recursos de R$ 10 bilhões não serem suficientes. A consultoria diz que a grande dispersão dos custos variáveis projetados para a simulação com os dados oficiais do PMO se deve ao fato de que este não considera as térmicas nas base, o que provoca uma variação grande nos gastos de compra de energia no mercado de curto prazo e demais despesas variáveis. Para acessar o relatório, clique aqui.