Acciona inaugura fábrica de olho em sua ampliação

Formação de cadeia de fornecedores locais ainda limita o crescimento das fabricantes e cria gargalo na produção do mercado brasileiro como um todo

A fábrica da Acciona que está em operação desde o final do ano passado na cidade de Simões Filho (BA), mas que será inaugurada oficialmente nesta quarta-feira, 13 de maio, já poderia ser duplicada. A unidade já conta com sua capacidade inicial de 100 aerogeradores anuais quase toda contratada até 2017 para o fornecimento de sua turbina de 3 MW. No longo prazo, a meta da empresa é de manter a nova unidade fabril a maior parte do tempo ocupada. O investimento da empresa na fábrica foi de R$ 23 milhões. Para conseguir expandir a produção, explicou o diretor da Acciona Windpower no Brasil, Christiano Forman, o aporte adicional não é tão significativo, passa por contratação de pessoal para um novo turno e a aquisição de ferramental como pontes rolantes. O maior problema ainda é o desenvolvimento da cadeia fornecedora.

“A capacidade da cadeia de fornecedores é o maior problema que o país tem hoje. Quando se tem pouco prazo de execução há problemas no mercado nacional em se obter o fornecimento. Esse é um limitante para a expansão da capacidade no país como um todo, é menos na capacidade de montagem das fabricantes e mais em relação aos fornecedores, fato que cria um gargalo de produção no mercado como um todo”, avaliou ele. “Hoje mesmo estamos conversando com potenciais clientes que nos dão a indicação de que poderíamos ampliar nossa fábrica de forma imediata, se a demanda do mercado nacional continuar no nível que está, será a consequência natural [a ampliação]”, revelou o executivo.
Ao mesmo tempo em que há esse limitante no Brasil, Forman comemora o fato de a Acciona já ter alcançado o nível de nacionalização que as regras do Finame exigem para o financiamento de aerogeradores. Ele diz que atualmente o nível de conteúdo local do equipamento é de pelo menos 70%. Ainda há alguns componentes da nacele que são importados, principalmente no trem de potência. Mas, segundo o executivo, a fabricante está trabalhando para continuar com a nacionalização do equipamento. Ele considera difícil, mas é possível se ter 100% de conteúdo local. Contudo, a questão esbarra novamente na capacidade da cadeia de fornecedores locais e seu tempo de resposta ao crescimento da demanda.
A plataforma AW3000 representa atualmente a maior em termos de vendas mundiais da Acciona, e o Brasil responde por 40% do volume comercializado pela empresa. Desde 2012 atuando no país a companhia já fechou 1.020 MW em capacidade de geração, sendo 100% dessas vendas dessa turbina de 3 MW que possui a torre mais alta e o maior rotor que a companhia oferta a seus clientes globalmente.
Inclusive, a planta que está em operação na Bahia, se for competitiva poderá no futuro servir de ponto de exportação de equipamentos. Contudo, ressaltou que por enquanto, com o mercado aquecido como o que temos atualmente, a produção é toda destinada ao mercado nacional. E a implantação dessa unidade produtiva reflete, segundo Forman, o compromisso da empresa com o país.
A unidade recém inaugurada assumiu também a produção de cubos que a Acciona já fabricava no país desde 2013. A nova planta ocupa uma área de 5 mil metros quadrados e possui mais 7 mil metros quadrados para o armazenamento de turbinas. Esta é a quarta fábrica de montagem de aerogeradores da empresa no mundo. As outras três estão na Espanha (2 unidades) e nos Estados Unidos (uma) e a capacidade de produção anual é de 900 unidades. Além dessa fábrica de aerogeradores no Brasil, a Acciona possui uma fábrica para a produção de aduelas de concreto para torres eólicas no Rio Grande do Norte. A empresa também tem nacionalizada a produção de pás.