Os segmentos de Materiais de Construção, com recuo de 13,58% e Comércio e Varejo, com queda de 12,35% influenciaram fortemente a queda do Índice Comerc Energia de abril, cujo consolidado de doze categorias registrou um decréscimo de 3,83% em comparação com abril de 2016.  O setor de Material de Construção, com uma redução de 18,45% liderou a queda de 6,75% no índice consolidado de abril, quando o período é comparado com março de 2017. Nas duas comparações, a queda na demanda do insumo foi generalizada, abrangendo, respectivamente, nove e dez categorias monitoradas pelo Índice Comerc Energia. O Índice leva em conta o consumo das cerca de 1.300 unidades na carteira da comercializadora, pertencentes a mais de 700 grupos industriais e comerciais que compram energia elétrica no mercado livre.

De acordo com o presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos, nem sempre a variação do consumo de energia tem a ver com o dinamismo da economia. Segundo ele, apesar de o Índice de Atividade Econômica do Banco Central ter registrado no primeiro trimestre um aumento de 1,12% sobre o último trimestre de 2016, nesse momento, o consumo tem muito a ver com a temperatura no país, principalmente no Sudeste.

O executivo explica que, em parte, a retração na demanda por eletricidade pode ser explicada pela queda da temperatura média no País, dos 25,5 graus em março, para os 22,5 graus em abril. Em relação a 2016, abril também esteve mais frio, em média, 2,5 graus centígrados, segundo os dados da NOAA (departamento norte-americano de climatologia). Para ele, o clima impacta diretamente no consumo de energia de segmentos como Comércio e Varejo, pois não se requer tanto uso do ar condicionado nas lojas. O setor de Alimentos também consome menos eletricidade. Na comparação com o ano passado, apenas três categorias tiveram alta no consumo de energia em abril. Higiene e Limpeza consumiu 5,68% a mais, o setor de Siderurgia e Metalúrgica 3,92%, e Embalagens 0,26%. A tendência é parecida na comparação de abril com março de 2017, que revela aumento no consumo de apenas dois setores.

Vlavianos chama a atenção para a série histórica de 12 meses do setor de Materiais de Construção. O setor registra onze meses de sucessivas quedas no consumo de energia e apenas em setembro de 2016, houve crescimento, de 2,29%. Ele ressalta que, em abril de 2016, o setor havia já reduzido o consumo de eletricidade em 21,15% sobre o mesmo período do ano anterior. E, agora, em abril deste ano, retraiu seu consumo outros 13,58%.