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Um eventual viajante pelo interior do Brasil pode dar de cara com uma cena inusitada: um comboio de cerca de 300 veículos pesados, entre carretas e caminhões. Não se trata de um novo protesto desses profissionais contra algum aumento de combustível, mas de uma mudança. É que o Grupo Nordex iniciou a transferência de sua fábrica de torres de concreto do extremo sul do país, onde atendeu por cerca de dois anos o projeto Santa Vitória do Palmar, da Atlantic, e agora, uma grande parte desse ativo está sendo enviado quase para a outra ponta do país, mais especificamente, para o Complexo Eólico Lagoa do Barro, no sudoeste do Piauí, também da Atlantic.

O Grupo Nordex fornecerá para o Complexo Eólico Lagoa do Barro 65 turbinas do modelo AW3000, com 3 megawatts (MW) de potência cada, rotor de 125 metros de diâmetro e pás de 61,2 metros, instaladas acima de torres de concreto de 120 metros de altura. A empresa iniciará a montagem da sua nova fábrica de torres até o final de 2017. A previsão para o início das operações é maio de 2018.

De acordo com o diretor comercial da empresa no Brasil, David Lobo, realizar a transferência de uma unidade de produção de torres de concreto sai mais barato do que construir uma nova. Em sua estimativa uma unidade nova custa cerca de 10 milhões de euros e a mudança, apesar do grande volume de veículos envolvidos e a distância entre os dois pontos, tem um custo mais baixo. Algo próximo a 7 milhões de euros.

O transporte foi iniciado após a conclusão da infraestrutura básica estar pronta no Piauí para receber os equipamentos. Dentre os componentes transportados estão os guindastes internos e moldes para fabricação dos pré-moldados que formam as torres de concreto. Uma parte dos componentes foi conduzida de uma fábrica do grupo localizada na Bahia e cerca de 60 caminhões já chegaram ao local.

“O conceito da fábrica permite que façamos a sua mudança de local, pois a maioria dos componentes são móveis. Assim, não precisamos investir em uma nova unidade toda vez que fechamos um acordo para fornecimento. São torres de 120 metros, 22 segmentos com 50 toneladas cada um, não é um item de fácil logística, por isso, montamos a fábrica no projeto ou próximo a ele, como é este caso”, disse o executivo à Agência CanalEnergia.

A unidade em trânsito ficou dois anos no Rio Grande do Sul. A opção por enviá-la para o Piauí, cerca de 4.050 km de distância, além do projeto a que se destina possui perspectivas interessantes para os próximos leilões. Segundo Lobo, uma fábrica de torres pode atender a projetos em um raio de 300 km. Com isso a planta pode atender a outros parques no próprio estado, no oeste de Pernambuco e norte da Bahia.

“A nossa estimativa é de que ali haja um potencial de 3 a 4 GW em capacidade de geração”, apontou. “Ali há margem para escoamento por meio de uma linha de 500 kV e há projetos habilitados. É uma região estratégica para a empresa posicionar-se de forma competitiva para o fornecimento de aerogeradores”, acrescentou Lobo, ao lembrar que dentre as empresas que possuem projetos está a Casa dos Ventos.

Lobo comentou ainda que mesmo nas regiões onde outras fábricas foram desativadas, como esta do RS, bem como nas regiões de Areia Branca, no Rio Grande do Norte, Itarema, no Ceará e Palmares do Sul, a infraestrutura básica que permite montar uma fábrica de torres em um curto espaço de tempo foi mantida. A empresa mantém o pagamento de aluguel das áreas onde foram investidos recursos para montar a infraestrutura em caso de nova demanda nessas áreas e assim montar uma nova planta para a produção de torres.