Transferência de Jirau para Engie pode se arrastar até 2019

Formato da incorporação dos 40% da holding na usina ainda não está definido, mas a meta da empresa é de não impactar de forma a tirar o poder de fogo de investimentos da geradora

O tema da transferência ou venda de Jirau da Engie holding para a geradora Engie Brasil Energia deverá ainda se arrastar pelo ano de 2018 e entrar por 2019. Isso porque ainda este semestre deverá ser constituído o comitê independente que avaliará o negócio entre as duas empresas. Por enquanto não há prazo para a avaliação e nem como se dará o negócio que será apontado justamente pelo grupo que contará com pelos menos dois conselheiros independentes da EBE.
Segundo o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da EBE, Carlos Freitas, do lado da holding o processo já começou. Contudo, afirmou ele, ainda não se tem o modelo de como será feita essa transação já prevista desde o início das obras da UHE localizada no rio Madeira, cujo leilão ocorreu em 2008. “Ainda será estudado como fazer a operação, se venda ou transferência, venda parcelada ou troca de ações, há uma série de configurações para o negócio que está sendo avaliado pela Engie e que será apresentado ao comitê da EBE que poderá até mesmo não aceitar o negócio caso não seja bom negócio para a Engie Brasil Energia”, apontou ele na reunião com analistas e investidores promovida pela Apimec-SP.
Contudo, ressaltou que o ativo vem operando muito bem e que acredita que seja interessante, além disso, pertence atualmente à controladora, ou seja, não é uma compra de terceiros, há conhecimento do ativo e, por esta razão, a simetria de informações é grande.
Apesar disso, comentou Freitas, o tema é complexo não há um prazo definido para a finalização desse processo e pode se estender para 2019. Dependendo da opção a ser feita a aquisição pode ou não afetar a alavancagem da geradora que atualmente é de 1,3 vez a relação entre a dívida líquida sobre o Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da companhia ao final de 2017. Mas, como ainda não há uma sinalização a empresa vai continuar com seu plano de investimentos e avaliar como fazer a incorporação dos 40% da holding na Energia Sustentável do Brasil em seu portfolio.
Até por apresentar um balanço confortável em nível de alavancagem, a Engie projeta aumentar os investimentos por meio de dívida, para, nas palavras de Freitas, otimizar a sua capacidade de aportes. Mas, ao mesmo tempo quer manter o ‘poder de fogo’ da companhia para novos investimentos podendo ser via leilão ou aquisições como ocorrido com as usinas de Jaguara e Miranda que estavam antes sob concessão da Cemig. Segundo o diretor, os investimentos serão feitos via dívida, preferencialmente, e essa alavancagem poderá chegar a algo entre 2,5x a 3x essa relação para que seja mantido o rating em AAA da empresa, o que atribui a ela um diferencial competitivo quando busca recursos no mercado.
Contudo, admitiu que o nível de alavancagem máximo acertado credores para a empresa (covenants financeiros) que é de 3,5 vezes a relação entre a dívida líquida sobre o ebitda pode ser ultrapassado em algum momento desde que haja em seguida a geração de caixa. Isso se aplicaria a aquisições de ativos operacionais e que as agências de classificação de risco consideram em suas análises.
Caso haja uma perspectiva de impacto sobre esse endividamento da Engie, Freitas comentou que o processo de transferência poderia se assemelhar ao de Estreito em 2010 onde foi feito o pagamento de três parcelas pelo ativo e que por isso não entrou como dívida para a geradora.
Nesse sentido de aquisições, estão ativos em geração e transmissão, mas sem nomear especificamente alvos em potencial. “Hoje a gente tá olhando o mercado, tem que escolher onde avaliar, hoje estamos trabalhando com interesse em transmissão e esperamos um leilão no meados de ano e avaliando outras oportunidades e isso requer atenção e tempo e então temos que escolher onde podemos ter sucesso”, concluiu ele.