A Agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou o Rating Nacional de Longo Prazo ‘AA+(bra)’ da Omega Geração com Perspectiva Estável. A análise reflete a sinergia entre diferentes fontes de geração e a maturação dos projetos detidos pela companhia, bem como o histórico de geração de energia dos projetos existentes. Este último fator está em linha com as estimativas do consultor independente para os projetos eólicos, em base individual, baseados em geração de energia a P-50, ao longo dos últimos sete anos, com exceção de Delta 3, o qual ainda é muito recente
Até o momento, a empresa não tem dívidas financeiras, e, todo endividamento consolidado está no âmbito das Sociedades de Propósito Específico – SPEs. Todos projetos do portfólio atual contêm financiamentos corrigidos pela TJLP, o que representa um ponto fraco na estrutura destes, em função do descasamento com os índices de reajuste das receitas.
Na visão da agência a Omega apresenta DSCRs mínimo e médio consolidados de 1,6 vez e 2,0 vezes (de 2018 a 2030) respectivamente no cenário-base da Fitch. Já no cenário de rating, os índices mínimo e médio são de 1,5 vez e de 1,7 vez, respectivamente; o índice Dívida Líquida / EBITDA neste cenário é de 3,4 vezes em 2018. Ambos os cenários consideram a adição dos projetos Delta 5 e Delta 6 em 2019.
Apesar de apresentar métricas mais robustas, a geradora apresenta maiores incertezas em relação a novos projetos em seu portfolio, ao passo que os pares são projetos individuais, sem possibilidades de expansão futura.
Em 2017, a companhia apresentou EBITDA ajustado de R$ 227,1 milhões, 15% abaixo do cenário-base da Fitch, que considerava a incorporação de Delta 3 em setembro de 2017. Devido a estratégia de comercialização do grupo e a participação no Mecanismo de Compensação de Sobras e Déficits (MCSD) de alguns ativos, a Omega apresentou receita líquida, em 2017, de R$ 546,1 milhões, acima do projetado pela Fitch em seu cenário-base (R$ 343 milhões). O lucro bruto de venda de energia, no entanto, foi de R$ 293,4 milhões, abaixo do esperado pela Fitch (R$ 322 milhões).
No mesmo período, os ativos de geração da Omega continuaram a apresentar desempenho próximo ao P-50, em linha com o esperado pela Fitch. Com base em dezembro de 2017, a empresa apresentou dívida líquida de R$ 1,44 bilhão, com índice dívida líquida/EBITDA de 6,4 vezes.
No período de 12 meses encerrado em março de 2018, o EBITDA ajustado realizado foi de R$ 266,1 milhões, próximo ao estimado pela agência no mesmo período (R$ 276 milhões). Com base em março de 2018, a dívida líquida de R$ 1,441 bilhão, com índice dívida líquida/EBITDA de 5,4 vezes no período de 12 meses encerrado em março de 2018.
Para 2018 e 2019, o cenário de rating considera os mesmos indicadores do cenário-base. A partir de então, estima GSF e PLD de 0,88 e R$ 186,0/MWh em 2020 e de 0,88 e R$ 198,0/MWh em 2021; de 0,9 e R$ 243,0/MWh em 2022 e de 0,92 e R$ 292,0/MWh de 2023 em diante.
O cenário-base assume produção de energia a P-50, e considera preços dos PPAs no mercado livre e de energia descontratada de R$ 100,0/MWh uma disponibilidade ao longo do ciclo do projeto de 97,8% e custos 7,5% acima do cenário estimado pelo emissor, no caso das PCHs. Para os projetos eólicos, foi assumido o custo de R$ 68.000/MW/ano a partir do décimo ano de operação.
No caso das despesas gerais e administrativas, foi assumido um estresse de 7,5% para todos os projetos. Os índices mínimo e médio de cobertura do serviço da dívida nesse cenário são de 1,6 vez e de 2,0 vezes (2018 a 2030). Na análise da agência, o cenário de rating assume as mesmas premissas que o cenário-base, mais a produção de energia a P-90 de dez anos. Os DSCRs mínimo e médio nesse cenário são de 1,5 vez e 1,7 vez (2018 a 2030), respectivamente.