Fitch afirma ratings de subsidiárias da Enel Brasil

Agência classificou riscos da Eletropaulo, Ampla e Coelce com perspectiva estável

A agência de classificação de risco Fitch Ratings afirmou em ‘BBB-‘ e em ‘BB+ os ratings de Longo Prazo em Moedas Local e Estrangeira da Eletropaulo. Ao mesmo tempo, a agência classificou em ‘AAA(bra)’ o Rating Nacional de Longo Prazo da distribuidora paulista e de duas outras subsidiárias, Enel Rio e Ceará, todos com Perspectiva Estável.

A avaliação reflete o forte vínculo com a controladora Enel Americas, haja visto que as subsidiárias relevantes da Enel Brasil estão incluídas nas cláusulas de inadimplência cruzada da dívida mantida pelo acioninsta controlador, que também possui histórico de concessão de empréstimos mútuos substanciais, aumentos de capital e garantias prestadas às empresas brasileiras, incluindo os R$ 8,7 bilhões do empréstimo-ponte levantado por estas para financiar a aquisição da Eletropaulo (R$ 7,1 bilhões) e R$ 1,5 bilhão de capital nela injetado.

A Fitch considera o aumento de capital e a garantia da Enel Brasil aos R$ 3,0 bilhões da recente emissão de debêntures positivos para o perfil de crédito individual da Eletropaulo, já que o montante será utilizado para financiar o plano de investimentos da companhia e contribuirá para a melhora de sua flexibilidade financeira.

A Enel Brasil tem participado ativamente do processo de consolidação do setor elétrico no Brasil, que se tornou o principal país na carteira da Enel Americas, com participação em torno de 50% nas receitas e de 37% no EBITDA, em bases pro forma, após a aquisição da Eletropaulo. A estratégia de crescimento, que também contemplou as aquisições da Celg e da Usina Volta Grande, em 2017, contribui para a diversificação dos ativos. No segmento de distribuição de energia, a Enel Brasil é o maior grupo do país, com 16,3 milhões de consumidores e presença em 511 municípios.

Em base combinada, a agência acredita que o grupo conseguirá administrar seu fluxo de caixa livre (FCF) — que deve permanecer negativo até 2020 —, devido à sua adequada posição de liquidez e à comprovada flexibilidade financeira, beneficiado pelo suporte financeiro da controladora. Pelas projeções da agência, a companhia manterá alavancagem consolidada bruta e líquida, em bases pro forma, em patamares moderados, de 4,8 vezes e de 3,9 vezes, respectivamente, no final de 2018.

De acordo com a Fitch, o EBITDA adicional esperado do segmento de distribuição, em virtude do quarto processo de revisão tarifária envolvendo todas as suas companhias, em 2018 e 2019, deverá sustentar o processo de redução da alavancagem do grupo. A alavancagem líquida ajustada deverá diminuir para 2,5 vezes em 2020.

A análise aponta para um fluxo de caixa das operações (CFFO) consolidado da Enel Brasil, que aumentará da média anual de R$ 1,3 bilhão no período de 2014 a 2017 para a média anual de R$ 3,2 bilhões de 2018 a 2021, com a incorporação das companhias adquiridas e o EBITDA adicional esperado, após a implementação do ciclo de revisão tarifária em todas as companhias de distribuição.

A primeira, Enel Rio, antecipou em um ano o ciclo de revisão de suas tarifas — para março de 2018 — e, como resultado, teve um aumento de R$ 340 milhões no EBITDA regulatório, que passou para R$ 1,1 bilhão. O processo de revisão tarifária do grupo continuará com a Enel Goiás, em outubro de 2018; com a Enel Ceará, em abril de 2019; e, por fim, com a Eletropaulo, em julho de 2019. O grupo reportou EBITDA consolidado de R$ 2,6 bilhões em 2017, abaixo do EBITDA regulatório de R$3,1 bilhões. Dessa forma, segundo a análise, há espaço para melhorar a eficiência e diminuir esta lacuna.