Cteep mira diversificar negócios para o futuro

Entre as ideias estão investimentos em armazenamento em baterias, geração distribuída a grandes clientes e até mesmo negócios com áreas dentro de cidades

 A Cteep está preparando-se para o futuro por meio da diversificação de seus negócios. Controlada pelo grupo colombiano Isa, a transmissora segue a diretriz global da companhia de ampliar sua atuação nas diversas geografias em que possui presença. Por aqui a ideia é de ampliar os negócios para armazenamento, geração distribuída e até mesmo no que classificou como real estate em decorrência de possuir um patrimônio imobiliário classificado como interessante em meio a cidades.
De acordo com o presidente executivo da transmissora, Reynaldo Passanezi, esses são os negócios que a empresa deverá ter no futuro como parte de um processo de diversificação de negócios. Contudo, destacou, a transmissão continuará ser o principal eixo da companhia por muitos anos em função das oportunidades que existem no mercado nacional. Dentre essas estão as ações de reformas e melhorias que deverão somar mais recursos nos próximos 10 anos do que na expansão da rede de transmissão do país via leilões.
Na apresentação que a empresa realizou nesta quinta-feira, 6 de dezembro, a analistas e investidores, a perspectiva de investimentos em reforços e melhorias poderia levar a aportes que são calculado em uma faixa de R$ 70 a até R$ 110 bilhões. Somente com a modernização do parque atual em intervenções de pequeno porte o montante projetado é de R$ 40 bilhões, o que poderia render para a Cteep em uma RAP adicional de R$ 400 milhões, caso essas ações sejam aprovadas pela Aneel. O tema está em consulta pública na agência reguladora.
“Nesse sentido estamos bem posicionados por conta de nossa posição geográfica, estamos no maior centro de carga do país”, lembrou ele em sua apresentação. “Nosso negócio principal é e continuará a ser transmissão, falamos de uma diversificação de atuação para o futuro ainda”, acrescentou ele a jornalistas.
Uma preocupação da empresa é a questão da revisão do banco de preços da transmissão. A Aneel, comentou um analista, dá indicações de que acredita haver um sobrepreço de 20%. Esse dado, comentou a Cteep pode até existir quando se pensa em ganho de escala nos novos projetos, mas que não e reflete em obras de reforços e melhorias porque essa escala deixa de existir. Por isso, a companhia defende a adoção de valores diferenciados por tipo de investimentos.
Em geral, a empresa vê um eixo novo com a digitalização no negócio de transmissão em decorrência da modernização dos equipamentos. Com essa agregação de novas tecnologias, a empresa viu no armazenamento por meio de baterias um serviço a ser explorado junto ao ONS para, por exemplo, regulação de tensão ou atendimento a demanda de pico como no litoral paulista durante o verão. Em geração distribuída, comentou Passanezi,  a ideia seria a de atender a grandes clientes.
“Com armazenamento, GD e tecnologia de subestações blindadas isso me libera solo e economiza espaço. Por exemplo em uma subestação de 20 mil metros quadrados, se instalo a blindada, passo a ocupar apenas 3 mil metros quadrados, aqui ao lado na SE Bandeirantes, dos 88 mil metros quadrados faço isso em 8 mil metros quadrados”, exemplificou.
Essa ação decorre do fato de que a Cteep possui a propriedade de diversas subestações, resultado da aquisição de terrenos que a Eletropaulo – quando ainda era estatal – comprou esses ativos. Na privatização essas áreas ficaram com a Cteep. Com a abertura desses espaços, apontou o presidente da Cteep, a empresa pode tomar diversas ações como vender simplesmente o terreno ou ser sócio de um eventual investidor que queira instalar uma usina solar fotovoltaica ou até mesmo de um empreendimento imobiliário. Contudo, lembrou, o processo é lento e as ideias referem-se ao futuro.
Apesar disso, há um projeto nessa área de real estate que poderá começar a tomar forma já a partir do ano que vem. Mas não foram passados mais detalhes sobre a iniciativa.
Leilão
Pensando no curto prazo, a empresa avalia e faz mistério sobre suas intenções no leilão de transmissão do próximo dia 20 de dezembro quando a Aneel colocará projetos que somam R$ 13,4 bilhões em investimentos. Passanezi disse que a empresa está olhando e espera apresentar lance em alguns dos lotes, sem apontar quais deles. Inclusive, revelou que a empresa está analisando o conjunto de ativos que anteriormente era conhecido como Lote A da Eletrosul, cuja caducidade foi declarada e entrou nesse certame.
Ele afirmou que o fato de a empresa ter 10 obras em andamento simultaneamente não deverá atrapalhar a capacidade de investimentos da companhia uma vez que a alavancagem encontra-se em um nível de 1,5 vez a relação entre a dívida líquida sobre o resultado ebitda (antes de juros, impostos, depreciação e amortização). “Nosso limite é de 3 vezes essa relação então temos uma capacidade de investimentos expressiva se olharmos que nosso ebitda está em R$ 2,5 bilhões”, comentou ele.
E finalizou ao reforçar o fato de que a empresa não buscará retornos mais baixos do que o padrão considerado necessário e sim, manter a disciplina financeira que vem pregando nos últimos anos com foco na geração de valor.