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Historicamente o desenvolvimento do setor de infraestrutura mundial foi suportado por investimentos governamentais e financiamentos concedidos por bancos e instituições de fomento, como o BNDES, no caso do Brasil. Contudo, a tendência é que essas instituições governamentais fiquem cada vez mais seletivas na alocação de capital. Isso vai exigir dos investidores engenharias de financiamento inovadoras para atrair a poupança privada para os projetos de infraestrutura.

Segundo ex-vice-presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto, há um paradoxo no mercado: há uma disponibilidade enorme de recursos para financiamento de longo prazo no mundo, porém as taxas de juros de longo prazo estão em queda. Há uma visão de que as principais economias estão deixando para trás um período marcado pela predominância de políticas monetárias expansionistas. Essa percepção explicaria as quedas recentes das bolsas estrangeiras, indicando que o mercado financeiro mundial entrou em uma fase de ajustes do preço dos ativos.

“Essa reflexão é o que vem alimentando uma reorientação no modo em como as agências internacionais de desenvolvimento abordam os investimentos em infraestrutura e essa mudança vai ganhar força aqui no Brasil”, disse o economista, durante o Encontro de Negócios da ABEEólica nesta segunda-feira, 10 de dezembro, em São Paulo.

Canuto explicou que o longo período de liquidez abundante em nível global gerou um endividamento corporativo além da valorização projetada pelos acionistas. “Houve uma expansão dramática da dívida global… Como Warren Buffer disse, quando a maré de liquidez cai é que se percebe quem estava nadando nu.”

Segundo o economista, não há dúvida de que há um ajuste do crescimento chinês e de que o desempenho exuberante dos Estados Unidos neste ano não será repetido. Com esses ajustes acontecendo no mundo, o Brasil pode se beneficiar dessa mudança de fluxo de capital, uma vez que o país tem demanda represada enorme.

Em sua avaliação, o fator que vai determinar a capacidade de atração de recursos do Brasil será o sucesso das reformas em andamento, principalmente a da previdência. A velocidade da recuperação da economia brasileira dependerá muito da trajetória fiscal que o país tomará nos próximos anos.

A retomada dos investimentos em infraestrutura é parte estratégica da recuperação econômica do Brasil, em função do impacto na geração de emprego e renda do país.

Canuto disse que o mundo passará por um ajuste econômico em maior ou menor grau de impacto, um ajuste que será refletido no preço dos ativos em função da normalização da política monetária. Por outro lado, a única maneira de enfrentar o paradoxo entre o descasamento da poupança de longo prazo e os investimentos em infraestrutura, é a substituição da intervenção pública por algum tipo de parceria.

O ex-executivo do Banco Mundial esclareceu que os investimentos em infraestrutura têm riscos diferentes em cada fase do projeto: planejamento, construção e operação. Um dos grandes desafios será distribuidor corretamente esses riscos, uma vez que alguns investidores têm dificuldade de tomar alguns riscos, o que explicaria “o paradoxo da falta de investimento”, apesar da alta demanda.

Segundo Canuto, a tendência é que as instituições financeiras públicas direcionem seus recursos para as situações em que o setor privado não consegue lidar com os riscos. Ou seja, ao invés de financiar o projeto como um todo, atuar como seguradas contra o risco de descontinuidade de crédito de curto prazo, atuando em uma fase específica do projeto e deixando outra parte para o capital privado financiar.