Apesar de já ter consumido R$ 6,6 bilhões em obras parciais e na compra de parte do maquinário, a usina nuclear de Angra 3 trará prejuízos ao país caso venha a ser concluída, como defende o futuro ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque. A conclusão está num estudo do Instituto Escolhas, e leva em conta os ganhos econômicos que seriam obtidos caso o investimento necessário para finalizar o projeto fosse aplicado em energia solar. A economia com essa hipotética substituição, segundo o trabalho, seria de R$ 12,5 bilhões ao longo de 35 anos.
O estudo conclui, em linhas gerais, que a melhor opção é não finalizar o projeto, considerando tanto os custos de fontes renováveis que já têm mercado no país, como é o caso da solar, quanto o contexto de ajuste fiscal enfrentado no cenário econômico nacional. “Angra 3 é uma sangria aos cofres públicos que precisa ser estancada”, afirma o afirma Sergio Leitão, diretor executivo do Instituto Escolhas. Uma metodologia de precificação e análise produzida em parceria pelo Instituto Escolhas e pela consultoria PSR baseou o trabalho lançado agora.
Essa metodologia considera o custo total da geração de energia no Brasil avaliando e valorando os atributos de cinco componentes: custos de investimento e operação; serviços prestados pela fonte além da produção de energia propriamente dita; custos de infraestrutura causados ou evitados pelo gerador; subsídios e isenções; e custos ambientais, como emissão de gases de efeito estufa. De acordo com a Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras responsável por operar e construir as usinas termonucleares no Brasil, os custos do projeto totalizam R$ 11,9 bilhões de reais.
Na avaliação do Instituto Escolhas, retomar as obras de Angra 3 custará ao sistema R$ 528/MWh por 35 anos, bem acima do valor de referência – R$ 480/MWh, definidos pelo governo em resolução publicada em outubro deste ano. O cálculo do Instituto soma os atributos indicados na metodologia, entre eles taxas de financiamento reduzidas concedidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e pela Caixa Econômica Federal. Já o custo da fonte solar para a sociedade na região Sudeste é de R$ 328/MWh no mesmo período, indica o trabalho.
A partir desses valores, o estudo conclui que a construção de usinas solares, em lugar da conclusão de Angra 3, traria uma economia ao setor elétrico de R$ 12,5 bilhões até 2045, representando R$ 103/MWh no horizonte de 35 anos. Paralisada em 2015, as obras de Angra 3 avançaram em 67% no total, incluindo 88% da parte de engenharia, 78% de suprimento de equipamentos e materiais, 82% das obras civis e 19% da montagem eletromecânica. O projeto demanda custos mensais para a preservação das componentes e materiais já adquiridos.