A hidrelétrica Retiro Baixo (82 MW – MG) vai gerar energia até o reservatório atingir o nível operacional mínimo de 613 metros acima do nível do mar, para receber os rejeitos de mineração da barragem da Vale que rompeu em Brumadinho na última sexta-feira, 25 de janeiro. Nesse nível, haverá uma redução do volume de água em 40 milhões de metros cúbicos, espaço mais que suficiente para acomodar a lama que vai descer pelo rio Paraopeba até atingir a usina.
A Agência Nacional de Energia Elétrica calcula que apenas parte dos 13 milhões de m³ da pluma de rejeitos vai alcançar a barragem da usina. Isso elimina a possibilidade de que a lama atinja a usina de Três Marias, que fica localizada 30 km abaixo da UHE Retiro Baixo, no rio São Francisco.
Retiro Baixo operava no fim da tarde de segunda-feira (28) com 20 MW, para esvaziar o reservatório. Na cota máxima da usina, de 617 m, a barragem acumula 280 milhões/m³ de água. Na mínima operacional, a volume é de 240 milhões/m³.
“A gente tem a convicção de que a usina está preparada para receber o rejeito. Inclusive demandamos do concessionário que avaliasse, até por uma questão de precaução, os fatores de segurança da barragem, tendo em vista que ela foi dimensionada para atender a coluna d’água. Com o rejeito, essa coluna é mais espessa. Então, tem um pouco mais de esforço para garantir a segurança da instalação”, afirmou nesta terça (29) o diretor-geral da Aneel, André Pepitone.
O diretor explicou que como o volume de lama é bem menor que a capacidade suportada pela hidrelétrica e parte dos rejeitos tende a ficar pelo caminho, a expectativa é que ela nem cheque a assorear a usina. “Vamos avaliar a questão do assoreamento do reservatório, e, se vier a acontecer, vai acontecer em pequena densidade. Essa é a expectativa”.
O plano para a chegada dos rejeitos de mineração prevê o fechamento das comportas da tomada d’água, para que a lama não afete as turbinas da usina. A qualidade e a densidade da água com a mistura da lama serão monitoradas.