ANA falará sobre situação do rio Paraopeba na próxima segunda-feira, 25

Vazão de Xingó é mantida no patamar de 700m³/s cúbicos pelas previsões de término do período chuvoso em abril

Os impactos pelo rompimento da Barragem I em Brumadinho (MG) seguem mobilizando a Agência Nacional de Águas, que na última segunda-feira, 18 de fevereiro, reuniu-se em sua sede, em Brasília, para mais uma sessão da Sala de Crise do Rio São Francisco, cujo objetivo é avaliar a situação dos reservatórios da bacia hidrográfica. Durante o encontro, ficou pactuado que a próxima reunião acontecerá em 25 de fevereiro, com um espaço dedicado a apresentações sobre a situação da qualidade da água do rio Paraopeba, afluente do Velho Chico impactado desde 25 de janeiro.

Além da avaliação hidrometeorológica e de armazenamento da bacia do São Francisco, que são realizadas nas reuniões da Sala de Crise do São Francisco, a ANA e o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM) apresentarão informações sobre o monitoramento qualitativo do rio Paraopeba e sobre o deslocamento da pluma de rejeitos da barragem de Brumadinho pelo rio mineiro.

Na reunião desta segunda-feira, a vazão defluente do reservatório de Xingó foi mantida no patamar de 700 metros cúbicos por segundo por causa das previsões para o fim do período chuvoso na região, em 30 de abril, que apontam para um volume útil abaixo do esperado (50%) para o Reservatório Equivalente do São Francisco, formado por Três Marias (MG), Sobradinho (BA) e Itaparica (BA/PE). Em 17 de fevereiro, este conjunto de reservatórios acumulava 43,33%, sendo que há um ano o armazenamento era de 20,61%.

O parâmetro de 50% do volume útil do Reservatório Equivalente do São Francisco foi determinado na reunião da Sala de Crise em 21 de janeiro, sendo que previsões de volumes inferiores aos 50% ou a diminuição das afluências aos reservatórios do Velho Chico podem levar à revisão do patamar de operação em Xingó.

Atualmente a vazão mínima autorizada para os reservatórios de Sobradinho e Xingó é de 550m³/s, mas em Xingó a operação está no patamar de 700m³/s. A primeira autorização para a prática desta vazão foi dada pela ANA por meio da Resolução n° 1.291, de 17 de julho de 2017, e prorrogada pelas resoluções n° 1.943/2017, nº 30/2018, nº 51/2018 e nº 90/2018 – esta última autoriza a vazão mínima defluente até 31 de março deste ano, sendo este o menor patamar médio já adotado em Sobradinho desde sua construção em 1979.

A bacia do São Francisco passa por seca desde 2012, maior período contínuo do fenômeno já registrado na região. Por isso, desde abril de 2013, Sobradinho e Xingó vêm operando com uma defluência mínima abaixo da praticada em situação de normalidade: 1300m³/s. O objetivo desta medida é assegurar a reserva e a segurança hídrica na bacia.