Itaipu vai modernizar pontes rolantes e pórticos até 2021

Serviço "necessário" começou no Edifício de Descarga da margem paraguaia e prevê troca de 24 componentes eletroeletrônicos e melhoria nas condições de segurança de outros equipamentos

O sistema de movimentação de cargas da usina de Itaipu, composto por pontes rolantes e pórticos irá passar por um processo de “modernização completa”, com a troca de componentes eletroeletrônicos e melhoria nas condições de segurança. O trabalho começou em duas pontes do Edifício de Descarga da margem paraguaia (EDD), na semana passada. Segundo a Binacional, serão 24 equipamentos atualizados e a previsão de conclusão do projeto é para junho de 2021.

O engenheiro Júlio Gonçalves, da Divisão de Manutenção Eletrônica de Itaipu, explicou que o sistema atual é da época da construção da hidrelétrica e há dificuldade em se encontrar peças de reposição. Também falta padronização de tecnologia porque os equipamentos atuais provêm de sete fornecedores diferentes. Para ele, ainda que o sistema atual ainda funciona bem, alguns componentes estão obsoletos, com a mudança mostrando-se imprescindível para trazer maior confiabilidade e disponibilidade dos equipamentos.

“O Laboratório de Manutenção, por exemplo, nos dá um apoio muito forte na recuperação dos cartões eletrônicos, mas alguns não têm mais conserto e não estão disponíveis no mercado há anos. Por isso, a modernização é necessária, completou.

O processo implicará na remoção de todos os itens elétricos e eletrônicos das pontes e pórticos – como transformadores, motores, fontes, painéis, cabos de alimentação, sistemas de freio e de regulação de velocidade, iluminação etc. Sobrará apenas o “esqueleto”, a estrutura mecânica dos equipamentos, que receberão os novos componentes.

O projeto também prevê melhorias para as condições de segurança e de conforto, com a instalação de guarda-corpos, novos pontos de fixação de cintos de segurança e substituição das cabines de comando, que serão climatizadas.

Nos pórticos, a sala elétrica, onde estão os painéis, está localizada no topo da estrutura, a 23 metros de altura, e as equipes de manutenção precisam subir uma escada do tipo marinheiro, para chegar ao local. “Imagine a dificuldade. Então vamos construir uma nova sala na parte inferior do pórtico”, afirmou o engenheiro. Outra melhoria será no sistema de ancoragem dos pórticos, que hoje é manual e será motorizado.

Júlio Gonçalves lembrou ainda que as pontes rolantes foram utilizadas intensamente na montagem da usina e hoje são fundamentais para a manutenção – para levantar componentes e equipamentos de elevado peso, como as tampas dos geradores, por exemplo. As pontes também serão importantes no processo de modernização tecnológica da usina e, por isso, a área de manutenção antecipou a modernização.

Fases da obra

O processo de modernização dos equipamentos começou em 2013, com estudos de mercado para conhecer quais empresas poderiam fornecer o serviço e qual seria o custo. Muitas empresas fizeram visitas técnicas à usina e apresentaram sugestões técnicas para a modernização.

A fase seguinte foi de especificação técnica, trabalho que teve o apoio de várias áreas da Diretoria Técnica, como as superintendências de Engenharia e de Obras. “A especificação é uma fase muito importante, porque você não pode deixar nenhum serviço de fora”, comentou Júlio.

O processo de contratação foi concluído no ano passado, com a participação de quatro consórcios, todos formados por empresas brasileiras e paraguaias. O contrato com o consórcio vencedor foi assinado em agosto.