Renova espera concluir venda de Alto Sertão III em até 90 dias

Companhia volta a pensar em novo plano de crescimento para os próximos anos

O diretor vice-presidente de Finanças da Renova, Cláudio Ribeiro Neto, disse que espera concluir a venda do parque eólico Alto Sertão III, na Bahia, em até 90 dias. A companhia controlada por Light e Cemig aceitou, em 21 de março, a proposta vinculante feita pela AES Tietê. Como o contrato ainda não foi assinado, o valor da transação está sob sigilo. Como parte da negociação, os contratos de fornecimento de energia do parque eólico estão suspensos. Cerca de 95% dos compromissos são com as próprias controladoras da Renova.

“Dentro do escopo da venda de Alto Sertão 3, a gente está fazendo a suspensão dos contratos com Cemig e Light. Isso nos alivia da obrigação de comprar energia no mercado spot para cumprir esses contratos”, disse o executivo em teleconferência nesta quinta-feira, 28 de março, que explicou que essa energia está sendo transferida para entrega em 2030 e 2031. A partir da conclusão da operação, essa obrigação passa a ser da AES Tietê.

Dessa forma, a exposição contratual da Renova neste ano é de apenas 11 MW médios. Em 2018, essa exposição foi de 108,4 MW médios, que ocorreu justamente em função do atraso na conclusão de Alto Sertão 3. A partir de janeiro de 2020, a empresa prevê que não terá nenhuma exposição em sua comercializadora de energia.

O projeto tem uma dívida com o BNDES de R$ 935 milhões. No total, a Renova tem uma dívida de 2,14 bilhões, sendo que R$ 772 milhões são com os próprios controladores.

Desde que entrou em crise de liquidez, a empresa realizou uma revisão do seu portfólio de projetos, o que ajudou na redução da necessidade de investimento e melhorou a liquidez e o fluxo de caixa da companhia. No início de 2016, a empresa tinha 2,6 GW em carteira, volume que foi reduzido para 619,8 MW ao final de 2018.

Ribeiro reforçou que a Renova ainda trabalha para atender as condições precedentes exigidas pela AES Tietê, mas adiantou que esse é um movimento que arruma a estrutura de capital da companhia, possibilitando que a empresa volte a pensar num plano de crescimento, uma vez que os ativos ficarão organizados. “Acho que isso traz uma possibilidade bastante ampla de vários negócios que a companhia pode começar a pensar daqui para frente, uma vez que na sua solvência e capacidade de pagamento está equacionada”, concluiu o executivo.