Cepel é pioneiro no Brasil em ensaios de homologação de cabos OPGW

Tecnologia apresenta proteção contra descargas atmosféricas, além de conseguir transmitir grande quantidade de dados em alta velocidade e sem ruídos

Quando se fala em pesquisa e desenvolvimento para o setor elétrico, uma demanda vem crescendo consideravelmente nos últimos anos: os chamados cabos para-raios OPGW (Optical Ground Wire), com núcleo de fibra óptica e que desempenham a função de transmissão de dados em conjunto com a função convencional de proteção contra descargas atmosféricas. Para sua comercialização no Brasil, os fabricantes precisam contar com ensaios de homologação, sendo o Laboratório de Alta Corrente do Cepel o único do gênero no país reconhecido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para realização de ensaios de curto-circuito, descarga atmosférica e resistência elétrica neste tipo de cabo, sem a necessidade de um Organismo de Certificação Designado (OCD), instituição legalmente constituída para conduzir processos de avaliação da conformidade de produtos para telecomunicações.

Fábio Augusto da Silva, pesquisador responsável pelo Laboratório de Alta Corrente do Cepel, afirma que os cabos OPGW foram projetados para substituir os cabos tradicionais, apresentando, além da função de proteção contra descargas atmosféricas, a de transmissão de dados, “uma vez que, em seu núcleo, foram acoplados conjuntos de fibras ópticas capazes de transmitir dados em grande quantidade, alta velocidade e imune a ruídos”, explicou. O Cepel realiza este tipo de ensaios desde o início da década de 1990, com destaque para o dimensionamento e a verificação de cada projeto deste tipo de cabo com relação às características do local de instalação, uma vez que cada região do país apresenta condições climáticas específicas.

Na avaliação do pesquisador, o uso desses cabos bem dimensionados e com projeto adequado às características do local de sua instalação proporciona redução significativa na possibilidade de interrupção do fornecimento de energia elétrica devido à queda de um cabo condutor de fase, bem como a interrupção de transmissão de dados devido à queda do próprio cabo, garantindo que este desempenhe suas funções adequadamente. Outro benefício é a redução dos custos de manutenção de linhas de transmissão, bem como da ocorrência de acidentes. “O emprego da tecnologia OPGW nas linhas de transmissão promove grande economia, à medida que elimina a necessidade de implantação de extensa rede de fibras ópticas dedicada à transmissão de dados para cobrir o país”, assinalou Fábio.

Além de fabricantes nacionais, o Laboratório de Alta Corrente do Centro atende clientes que importam cabos de outros países para homologação no Brasil e clientes internacionais que desejam entrar no mercado nacional, a exemplo dos fabricantes chineses, que realizaram ensaios recentemente no instituto.

Norma ABNT NBR 14074

O pesquisador acrescenta que o envolvimento do Cepel com os procedimentos para comprovação do desempenho técnico e mecânico dos cabos OPGW vai além da realização dos ensaios, à medida que o Centro apoiou diretamente a elaboração da Norma ABNT NBR 14074, que regulamenta este tipo de ensaio no Brasil e cuja última revisão data de 2015.

“A elaboração desta norma contou com fundamental apoio do Cepel, sobretudo para definição dos procedimentos dos ensaios de curto-circuito e de descargas atmosféricas”. Ele conta que um grupo de trabalho da ABNT/Cobei atuou em conjunto com a equipe do Laboratório de Alta Corrente do Centro, estudando metodologias, executando um grande número de ensaios e comparando seus resultados em termos de impacto nos cabos OPGW com os de casos reais observados em cabos que falharam no campo e vieram ao chão, até chegar às condições de ensaios cujos resultados fossem os mais próximos das situações encontradas.