Shell pede mudanças nos leilões A-6 para viabilizar gás do pré-sal

Alterações harmonizariam investimentos realizados na fase de upstream

Para garantir que as oportunidades do gás do pré-sal tenham um melhor aproveitamento, a Shell propõe que sejam feitas mudanças na dinâmica dos leilões A-6. Em painel realizado nesta quarta-feira no World Gas Series,  Marc Rühs, líder da Equipe de Desenvolvimento de Mercado no Brasil da Shell Energy Americas, pediu mais que os seis anos para implantação das usinas e um tempo de contrato de concessão maior, de modo que haja uma harmonização com os investimentos no upstream – que é a fase da cadeia produtiva de identificação, produção e transporte do insumo – com os do projeto.

De acordo com o executivo, a demanda de cerca de 1 GW oferecida os certames também não é suficiente para suportar os investimentos exigidos. Rühs acena com uma espécie de leilões estruturantes que desenvolveriam as reservas de gás associado de modo competitivo e incorporariam o leilão A-6. A Shell implanta a UTE Marlim Azul (RJ – 565 MW), viabilizada no leilão A-6 de 2017 e que tem como sócias a Pátria Investimentos e a Mitsubishi. A usina deverá ter um despacho de 90%.

O executivo classificou o mercado de gás nacional como limitado, com desafios em temas como regulação e transporte. Ele disse ainda que a abertura do mercado de gás local deverá levar tempo, uma vez  que na Europa o processo demorou em torno de 20 anos. Por outro lado, ele vê o mercado de energia no Brasil já está estabelecido com leilões e com boas perspectivas para o mercado livre, o que faz com que a monetização do gás para energia seja viável economicamente.

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Reive Barros já havia revelado à Agência CanalEnergia que o governo prepara uma consulta pública para aprimoramento dos leilões de energia. O diretor de Estudos de Energia da Empresa de Pesquisa Energética, Erik Rego, que também participou do painel, disse que o desafio da consulta vai ser tirar amarras de várias questões que envolvem os certames e não apenas o de um ponto específico. “O desafio é conseguir equalizar e poder entregar algo em que as pontas estejam bem amarradas, esse é o desafio dos próximos meses”, aponta.