Baixo Iguaçu é inaugurada após seis anos de atraso

Última usina do rio Iguaçu foi negociada no A-5 de 2008 e prazo original de cronograma era de gerar a partir de janeiro de 2013

A Neoenergia e a Copel inauguraram oficialmente a UHE Baixo Iguaçu (PR, 350 MW). Este é o último aproveitamento do rio Iguaçu e que está há 500 metros do Parque Nacional que leva o mesmo nome. A usina já está em operação comercial desde o dia 10 de abril, possui 171,3 MW médios de garantia física e entre suas funções está a de auxiliar na regulação da vazão das cataratas do Iguaçu.

Negociada no leilão A-5 de 2008, esta é a menor usina desse rio e sua operação comercial estava prevista originalmente para gerar a partir de 2013. Mas problemas com o órgão ambiental do Paraná (IAP) paralisaram a obra por anos. Em maio de 2016 a Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou a ampliação do prazo do contrato de concessão por 756 dias em decorrência da suspensão do licenciamento ambiental e consequente paralisação das obras. Em novembro de 2017, a agência reguladora autorizou a extensão adicional do contrato da usina por mais 46 dias em decorrência da ocupação do canteiro de obras pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

A usina foi concedida por um período de 30 anos no 7º leilão de Energia Nova, realizado em setembro de 2008. O lance vencedor foi de R$ 99/MWh e o preço médio de venda da energia de R$ 98,98/MWh. Foram negociados  pouco mais de 31,8 milhões de MWh para 39 concessionárias de distribuição que existiam à época. Naquele evento apenas a Neoenergia constava como proponente vencedora da concessão para a usina. A Copel, que detém atualmente 30% do empreendimento, entrou posteriormente no capital da usina. Na disputa pelo empreendimento a estatal paranaense formou consórcio com a Eletrosul e chegou a apresentar pedido de inabilitação de sua agora sócia na hidrelétrica.

A usina teve investimentos de R$ 2,4 bilhões. Sua capacidade de geração poderia atender a uma população de mais de 1 milhão de pessoas. E sua vazão mínima é de 350 metros cúbicos por segundo, um fator que manterá a vazão das cataratas à frente em um nível regularizado. A ideia é a de impedir, por exemplo, que o fluxo de água seja reduzido como em 2016.
O espelho d’água possui uma área aproximada de 32 km² de superfície e abrange os municípios de Capanema, Capitão Leônidas Marques, Planalto, Realeza e Nova Prata do Iguaçu. Anualmente, serão arrecadados R$ 4 milhões pela utilização dos recursos hídricos e divididos proporcionalmente de acordo com a área ocupada pelo reservatório, conforme legislação federal.

*O repórter viajou a convite da Neoenergia