Laboratório do Cepel atua contra poluição em isoladores

Presença de névoa ou chuva fina pode danificar isoladores e provocar desligamentos

O Laboratório de Ensaios sob Poluição do Cepel é o único do Brasil equipado para realização de ensaios com névoa salina em isoladores instalados em sistemas com tensão superior a 138 kV. A presença de agentes umidificantes, como névoa ou chuva fina, pode tornar condutiva a poluição depositada na superfície de isoladores aplicados a linhas de transmissão, de distribuição e em subestações, causando desligamentos em condições normais de operação.

De acordo com o pesquisador Ricardo Wesley, responsável pelo laboratório, em função do tipo de material que caracteriza o isolante – vidro porcelana ou polímero – a presença da poluição pode levar à degradação do material, especialmente no caso dos isoladores poliméricos, afetando a característica mecânica do isolador e possibilitando a queda da linha.

Wesley explica que os diversos parâmetros que caracterizam o problema da poluição nos isoladores criam uma grande complexidade na avaliação desse fenômeno, sendo preciso tempo para atingir as condições naturais necessárias para a realização de um estudo de campo. Os ensaios de laboratório permitem agilizar e controlar os principais aspectos relacionados aos processos de poluição e umidificação. Ainda segundo Wesley, ao mesmo tempo, os ensaios são fundamentais para que se obtenham as informações relacionadas à suportabilidade elétrica dos isoladores nos arranjos que estão sendo ensaiados, que vão garantir um comportamento adequado em serviço.

Segundo o pesquisador, os procedimentos de ensaio são estabelecidos por normas nacionais e internacionais, com base em condições artificiais de poluição e de umidificação, para que seja possível reproduzir as condições de campo. Dentre os ensaios recentes, destacam-se os realizados em cadeias de isoladores de vidro em Projetos Institucionais do Grupo Eletrobras, quando foi avaliada a presença de unidades quebradas. O pesquisador acrescenta que estão trabalhando também para capacitar a pequena câmara para ensaios de envelhecimento acelerado, em que diversos aspectos ambientais, como radiação ultravioleta, chuva e névoa salina, serão reproduzidos e aplicados de maneira estritamente controlada, concomitantemente à tensão elétrica, sob a forma de ciclos de ensaio padronizados, visando avaliar a degradação de isoladores com recobrimento de material polimérico.