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A Siemens Gamesa pretende começar a produzir sua turbina apresentada na Brazil Windpower 2019 no final de 2021. A turbina terá capacidade de produção de 5,8 MW e otimizada pode alcançar até 6,2 MW com 170 metros de rotor. Até lá, a empresa atenderá a demanda contratada com a plataforma SG 3.4-132 que recebeu em março o certificado Finame para financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O nível de ocupação da fábrica, localizada em Camaçari (BA) é de cerca de 80%, contou o executivo.
Segundo o diretor geral para Onshore da fabricante no Brasil, Roberto Prida, o país é um dos primeiros mercados em que a Siemens Gamesa apresenta o novo produto. “O Brasil é um dos mercados estratégicos e a demonstração disso é que decidimos finamizar a nova turbina. O Brasil será um dos primeiros a implantar o novo modelo, isso é a demonstração da aposta da empresa no mercado local”, comentou ele.
A companhia começou a entregar as primeiras unidades da turbina negociada no leilão de 2017. Contudo, a demanda pelo produto não vem apenas dos leilões para o atendimento ao mercado regulado. Hoje, disse o executivo, o mercado livre que apresentado uma demanda interessante. Atualmente, as entregas da atual plataforma estão divididas entre o ambiente regulado e livre em uma mesma proporção. Segundo ele, há um equilíbrio entre os mercados para a fabricante que são complementares o que traz, em sua opinião, estabilidade.
A adoção pela nova plataforma tem como base a busca por maior eficiência diante da competitividade ao passo que o custo da energia recua. Na avaliação de Prida, quanto maior o aerogerador mais eficiente ele se torna e, consequentemente, o investidor consegue ser mais competitivo. “Há uma limitação que é a logística, pois temos potencial no país, mas lembro que em 2007 se falava que a potência 2 MW era o limite para um aerogerador, hoje falamos de 6 MW como esse limite, pode ser que não seja”, ponderou.
Ele aponta que a expectativa medida de demanda no acumulado entre os dois ambientes de contratação está em 2 GW anuais. Um volume que a ABEEólica historicamente aponta como o breakeven para o setor no país. E uma boa parte dessa demanda vem do mercado livre. Prida comentou que é difícil apontar qual ambiente deve assegurar a demanda contínua no país. Depende do momento.
“Mas isso é uma tendência mundial, cada vez mais as empresas buscando PPAs bilaterais por apostarem cada vez mais em fontes renováveis. Acreditamos que a combinação entre preços em queda e esse movimento global em direção às renováveis foram o conjunto de fatores que deixam claro que há uma grande oportunidade de negócios”, afirmou em entrevista à Agência CanalEnergia durante a 10ª edição do maior evento eólico da América Latina, realizado em São Paulo pela Informa Markets – Grupo CanalEnergia.
Um dos gargalos que havia no passado, o financiamento desses projetos já não é tão problemático. Ele lembra que a percepção de risco do Brasil vem baixando o que atrai capital para o país. Isso, disse ele, facilita diferentes arranjos para o financiar os parques, ainda mais que os clientes estão vendo a performance dos projetos e os contratos estão sendo de mais longo prazo que no passado. Mas que ainda é possível acessar crédito no BNDES e BNB.
Até porque, continuou, os consumidores que estão procurando os investimentos no mercado livre têm um perfil de serem grandes empresas e que isso ajuda os bancos na hora do financiamento. “Temos empreendedores tradicionais que já atuam no ambiente regulado e que buscam investir no mercado livre”, ressaltou ele reforçando o fato de que o mercado livre está ficando atrativo.
A turbina eólica que está em produção na fábrica de Camaçari é o quarto equipamento produzido pela empresa no Brasil a ser enquadrado nas regras do BNDES para geração de energia eólica. Antes dessa turbina, também foram creditados os modelos G97-2.0, SG 2.1-114 e SG 2.6-114. Desde 2012, a Siemens Gamesa forneceu mais de 3,1 GW (mais de 1.500 unidades) de capacidade instalada para aproximadamente 60 projetos de usinas em todo o Brasil. Provavelmente não será a última com a decisão de trazer a turbina apresentada no evento da semana passada. Até porque, lembrou Prida, a tecnologia vem se renovando a cada 5 anos no máximo. “O amadurecimento do setor está trazendo maiores escalas e com isso menores custos da energia”, finalizou.