Brasil auxiliou Argentina e Uruguai no apagão

Diretor geral do ONS afirma que o país não corre o risco de passar pelo menos problema que apagou os países vizinhos e cujo restabelecimento quase total foi registrado depois de nove horas

O Brasil não foi afetado pelo apagão de grandes proporções que afetou a Argentina e o Uruguai no último domingo, 16 de junho. Segundo informações do Operador Nacional do Sistema Elétrico, foi necessário bloquear o fluxo de energia para as subestações conversoras de Melo, Rivera e Garabi. Essa atuação é automática pelo sistema. É por meio destes pontos que o sistema brasileiro se conecta com o dos vizinhos para a importação e exportação de energia.

O ONS afirma ter acompanhado com atenção o evento e no início da tarde enviou a pedido, energia para ambos os países para ajudá-los no processo de restabelecimento do fornecimento. Segundo o informativo diário (IPDO), o intercâmbio para a Argentina, via conversoras Garabi I e II foi nulo pelo bloqueio automático. Já para o Uruguai o intercâmbio deu-se via a conversora de Rivera das 12h13 às 15h30 para atendimento à Argentina. Além disso, via a conversora de Uruguaiana, das 13h11 às 14h43 e das 15h22 às 17h15 para atendimento ao Uruguai.

Para o intercâmbio internacional estavam programados 417 MW médios mas foram realizados 281 MW médios. Por Garabi I foram exportados 57 MW médios, na Garabi II 212 MW médios, 10 MW médios por Rivera e mais 2 MW médios por Uruguaiana.

O diretor geral do ONS, Luiz Eduardo Barata, comentou nesta segunda-feira, 17, durante o Ethanol Summit, em São Paulo, que não há riscos de o país sofrer um problema como os vizinhos. Ele destacou que o país teve um teste importante no início do ano com os seguidos recordes de demanda.

“Não há risco de uma coisa como essa acontecer no Brasil. Estamos trabalhando para que não aconteça no Brasil. A gente acha que não devemos sofrer nada parecido com isso, o sistema tem sido bastante resiliente. Em janeiro tivemos uma quantidade enorme de distúrbios no país inteiro, ficamos sem Angra 2, com um consumo muito alto, tivemos cinco recordes em janeiro, coisa que não acontecia desde 2014, e ainda assim respeitando frequência e tensão o sistema funcionou muito bem. Entramos numa fase que o consumo cai por conta do inverno e a expectativa é que transcorra bem esse período seco. ”

O caso começou logo depois das 7 horas da manhã do domingo, 16. De acordo com a UTE (empresa uruguaia de energia) a falha que originou o desligamento teve origem na Argentina. A interconexão dos países levou ao efeito cascata que afetou não somente aquele país, mas teve efeitos em cidades de outras nações.

Na nota da UTE é explicado o funcionamento do sistema, que avalia a relação entre demanda e oferta. Quando a demanda cai na mesma proporção. “Ao se registrar uma queda grande na Argentina, as proteções no sistema no lado uruguaio atuaram automaticamente (assim como nos demais países interconectados)”, explicou.

Em nota, divulgada na manhã desta segunda-feira, 17, a empresa afirmou que as investigações sobre o distúrbio ainda estão em curso e informará assim que obter os resultados da análise que está sendo conduzida.

Segundo explicações disponíveis até o momento, a argentina Edesur apontou que o problema ocorrido no Sistema Argentino de Interconexão (SADI), que corresponde ao nosso SIN, teve origem na linha de transmissão entre as usinas de Yacyretá e Salto Grande, no litoral daquele país que afetou ambos os vizinhos brasileiros. Às 16h12 minutos 95% dos clientes estavam reconectados, segundo a empresa. O apagão afetou cerca de 47,4 milhões de habitantes, sendo 44 milhões na Argentina e 3,4 milhões no Uruguai.

*Com informações da Agência Brasil