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A construção do maior complexo de inovação em energia elétrica foi suspensa por falta de recursos, apurou a Agência CanalEnergia. O empreendimento, que será o maior laboratório de testes de sistemas elétricos da América Latina, está sendo construído no município de Itajubá, em Minas Gerais, e já consumiu R$ 41 milhões. A reportagem teve acesso a um vídeo em que o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Rascoe, informa que o projeto está suspenso por falta de recursos.
“O presidente Robson Andrade me confirmou que a CNI vai declinar de tocar em frente o projeto de Itajubá e gostaria de repassar o projeto para o Senai Regional. Comuniquei a ele que não temos condições de tocar esse projeto e, portanto, o projeto está suspenso e estamos negociando essa questão de o projeto voltar à Minas Gerais.” Ainda segundo o vídeo, a Fiemg estaria buscando alternativas para aproveitar parte do investimento que já foi feito no local. Procurada, a Fiemg disse que não iria comentar o assunto.
As obras de terraplanagem e asfaltamento começaram em janeiro de 2015, chegando a segunda etapa com a conclusão de uma subestação de energia de 138 kV. A próxima fase seria a construção dos prédios que vão abrigar os equipamentos. Cerca de R$ 41 milhões de investimento já foram consumidos. O cronograma prevê que a obra seria entregue em 2021. O laboratório será um dos setes maiores do mundo em pesquisa e desenvolvimento de novos equipamentos e sistemas para o setor elétrico. Um terreno de 217 mil m² foi doado pelo município de Itajubá.
A reportagem teve acesso a uma carta assinada pelo prefeito de Itajubá, Rodrigo Riera, e pelo reitor da Universidade Federal de Itajubá, Dagoberto Alves de Almeida. O documento foi endereçado para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, para o presidente da Associação Brasileira da Industria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, e para o secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Cyrino.
Na carta, Riera e Almeida expressam grande preocupação com a suspensão do projeto, alertando para os “imensos prejuízos” que a interrupção temporária da obra causaria, implicando em mais uma oportunidade perdida para o estado de Minas Gerais e para o país. “Vale destacar algo que é de extrema gravidade, ou seja, de que esse recurso, inerentemente público, caso haja a interrupção, implicará em desperdício que seguramente atentará contra a boa gestão da coisa pública, como os senhores bem hão de concordar. Tão grave quanto, em nosso entendimento, estão os prejuízos advindos do descumprimento do propósito de todo esse formidável empreendimento orçado em quase R$ 450 milhões”, diz o documento.
“Vale destacar que não há no Brasil, e provavelmente, no hemisfério sul, um complexo laboratorial desse porte, necessário para o desenvolvimento de equipamentos elétricos beneficiando, assim, toda a cadeia produtiva industrial, com a possibilidade, ansiamos, de estar aqui em Minas Gerais”, acrescenta a carta.
O projeto do Instituto Senai de Inovação em Sistemas Elétricos tem o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social; do governo estadual, por meio da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e da Cemig. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também financiaria o projeto com R$ 152 milhões, recursos do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).
Procurada, o diretor geral da Aneel, André Pepitone, disse que a CNI esteve essa semana na agência para manifestar a preocupação com a falta de aporte de recursos por parte da Cemig e que isso poderia causar atrasos no projeto. Procurada, Fiemg e CNI não quiseram comentar o episódio. A Cemig, por sua vez, informou que aguarda um posicionamento da CNI a respeito da retomada das obras.
O reitor da Unifei, Dagoberto Almeida, disse que ficou espantado em saber que o projeto está em processo de cancelamento. “Na condição de dirigente de uma das mais tradicionais instituições brasileiras no campo do ensino e da prática da engenharia elétrica, a Unifei, lamento profundamente tal decisão. Afinal, um país próspero só é possível se houver efetivo desenvolvimento em ciência e tecnologia. Espantosamente, um complexo laboratorial desse porte está em processo de cancelamento, embora a obra já esteja em franco desenvolvimento”, disse à Agência CanalEnergia.
O projeto já consumiu R$ 41 milhões em recursos públicos e privados, utilizados na execução da terraplanagem, além de uma linha de 138 kV e uma subestação de energia. “Investimento que, a menos que a obra seja retomada, corre o risco de se perder na lama que vai descer morro abaixo com a chegada das chuvas. Prejuízo maior no que representa a perda para o país de um complexo de pesquisa e desenvolvimento de testes de equipamentos elétricos, tão necessário ao desenvolvimento da infraestrutura energética que o Brasil tanto carece”, disse Almeida.
O reitor da Unifei disse ainda que espera que as instituições envolvidas encontrem uma solução para o impasse. “Minha sugestão é que arregacemos as mangas e juntos (Fiemg, CNI e governo do estado de Minas Gerais) nos movimentemos para sensibilizar setores do governo federal como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação; o Ministério de Minas e Energia; o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; o Ministério da Infraestrutura além de, obviamente, o Ministério da Fazenda. Afinal, seria um escândalo instituições, governos e dirigentes se omitirem, seja pelo descaso quanto ao que já foi investido, quanto pelo que um complexo laboratório desse porte representa para o desenvolvimento da infraestrutura energética em nossos país. Da minha parte, afirmo que a Unifei está posta para contribuir da melhor forma possível”, concluiu.