Governo projeta integração do São Francisco com energia solar

Evento para acionamento da UFV flutuante sob lago de Sobradinho contou com a presença do presidente Bolsonaro, que quer atrair investidores privados para promover leilões de geração renovável na área de transposição do Rio

A Chesf inaugurou oficialmente nesta segunda-feira, 5 de agosto, a primeira etapa da Usina Solar Flutuante instalada no Reservatório de Sobradinho, na Bahia. A solenidade para acionamento da usina contou com a presença do Presidente República, Jair Messias Bolsonaro, e de autoridades do Governo Federal, Estadual e do Setor Elétrico. Na oportunidade, Bolsonaro assinou um Decreto qualificando o Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) ao Programa de Parceria Público Privada (PPI) da Presidência da República, visando atrair o interesse do setor privado para promover leilões de geração de energia renovável na área de transposição do Rio São Francisco.

De acordo com o governo, a ideia é ampliar a experiência da Chesf e o desenvolvimento no uso da tecnologia fotovoltaica no Nordeste, com o objetivo de elevar o potencial energético abrangido pelo PISF, estimado em 3,5 GW, bem como garantir recursos para o bombeamento das águas do rio, que hoje custam R$300 milhões por ano. “É um projeto inédito de integração de leilões de geração em infraestrutura social para o desenvolvimento regional e, de acordo com estimativas recentes poderá proporcionar investimentos da ordem de R$ 15 bilhões”, afirma o MME em nota.

A Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional (PISF) está inserida na Política Nacional de Recursos Hídricos e compreende a maior obra de infraestrutura hídrica do governo federal. Com 477 quilômetros de extensão em dois eixos de canais, o empreendimento visa garantir a segurança hídrica de 12 milhões de pessoas em 390 municípios nos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba, onde a estiagem é frequente.

A experiência bem-sucedida da UFV flutuante em Sobradinho irá servir de modelo para o uso dos módulos ao longo dos 477 quilômetros canais de transposição, aquedutos e reservatórios. Nas laterais dos canais também poderão ser implantadas placas solares para geração de energia. O evento desta segunda-feira (5) marcou a energização do empreendimento de 1 MWp distribuídos em 3.792 módulos fotovoltaicos, o maior projeto de Pesquisa & Desenvolvimento desse tipo de tecnologia instalado em reservatório de hidrelétrica do país. A segunda etapa da iniciativa contemplará uma nova UFV Flutuante, também em Sobradinho, com uma capacidade instalada total de 2,5MWp. O valor do investimento nessas duas plantas totaliza a R$ 56 milhões.

A proposta inicial é comparar a eficiência de projetos solares implantados em terra e em água, compondo as demais pesquisas com diferentes tecnologias no Centro de Referência em Energia Solar de Petrolina (Cresp), e promovendo assim avanços na geração em energia solar. Este é primeiro estudo sobre uma instalação desse tipo em lagos de hidrelétricas, aproveitando a área sobre a lâmina d’água dos reservatórios e evitando desapropriação de terras. Além desse fato importante, esse tipo de usina permite aproveitar as mesmas subestações e linhas de transmissão que escoam a energia produzida pela UHE. Projetos similares já foram iniciados em outros países, mas não nesse tipo de reservatório.

A pesquisa focará fatores como a radiação solar incidente no local; produção e transporte de energia; instalação e fixação no fundo dos reservatórios; a complementariedade da energia gerada; e o escoamento desta energia. Os resultados permitirão avaliar a eficácia da produção média de energia nesses locais, além dos estudos ambientais, direcionados ao efeito da planta solar sobre a água do rio, além dos impactos na biota aquática.

Além da possibilidade de redução de evaporação da água dos reservatórios e canais ao longo do projeto, os trabalhos técnicos também apontam que, nos dois casos – placas solares flutuantes e placas terrestres de geração de energia solar –, não há necessidade de desapropriação de terras. Os estudos apontam que esse modelo pode beneficiar outras regiões no uso das barragens já existentes e ampliar a capacidade potencial de geração de energia do país, hoje de 166 GW somadas todas as fontes de geração.

Por falar em ampliação da capacidade, a Chesf também prevê uma futura instalação de 1,25 MWp nos mesmos moldes para o reservatório da Usina Hidrelétrica de Boa Esperança, no Piauí, numa iniciativa que deverá ser iniciado no ano que vem.