Transferência acionária da usina de Jirau segue sem prazo na Engie Brasil

Cenário financeiro desfavorável vem protelando o negócio desde 2015. Empresa está otimista com mercado de gás

Segue sem prazo definido o processo de transferência da participação acionária na usina hidrelétrica de Jirau (3.750 MW – RO) da Engie para a Engie Brasil Energia, conforme indicou nesta quarta-feira, 7 de agosto, o presidente da subsidiária brasileira, Eduardo Sattamini. Durante teleconferência com analistas de mercado para apresentação dos resultados da EBE no segundo trimestre do ano, o executivo pontuou que o consórcio Energia Sustentável do Brasil, responsável pela construção e operação da hidrelétrica, continua enfrentando dificuldades financeiras e ainda depende de aporte dos acionistas.

“Há ações em curso para melhorar a eficiência operacional da usina e estabilizar o fluxo de caixa do projeto. Só vamos trazer (Jirau) para a Engie Brasil no momento adequado”, disse o executivo sobre o tema, discutido desde 2015. A Engie Participações detém 40% de participação na hidrelétrica de Jirau, o que corresponde a uma capacidade de cerca de 1.500 MW. Os demais sócios no consórcio Energia Sustentável do Brasil são Chesf (20%), Eletrosul (20%) e a japonesa Mitsui (20%). O principal passivo está no pagamento das parcelas do empréstimo de R$ 9,4 bilhões concedido pelo BNDES.

Na área de geração de energia elétrica, a Engie Brasil Energia conta atualmente com pouco mais de 8,7 GW de capacidade instalada própria a partir de 60 usinas operadas, além de outros 1,9 GW em fase de expansão. O projeto mais recentemente acrescentado ao portfólio da empresa de geração foi a usina termelétrica Pampa Sul (345 MW – RS), que em junho deste ano recebeu autorização para operação comercial. Em transmissão, onde passou a atuar há pouco, a companhia conta com um projeto em fase de construção no Paraná, somando mais de 1 mil quilômetros e investimentos de R$ 2 bilhões.

Mercado de gás natural

Além dos diversos projetos em geração e transmissão, a Engie Brasil faz planos e vê com otimismo a presença em outra frente de atuação na área de energia, o mercado de gás natural. A empresa entrou com força no segmento após o consórcio Aliança Transportadora de Gás – formado por Engie (32,5%), EBE (32,5%) e CDPQ (32%) – adquirir 90% da Transportadora Associada de Gás (TAG) da Petrobras. Em ativos físicos, o negócio representou a incorporação de uma malha de 4.500 km de gasodutos nas regiões Sudeste, Nordeste e Norte, com capacidade para escoar 70 milhões de m³/dia.

A transação veio no bojo do lançamento do Novo Mercado de Gás pelo governo, que pretende promover um choque de oferta do produto no país a partir da entrada de novos players. O presidente da EBE reforçou a importância da medida. “A quebra do monopólio da Petrobras vai aumentar a competitividade do mercado nacional de gás, acarretando tanto no aumento do consumo quanto na ampliação da infraestrutura. A entrada da Engie Brasil pode agregar na eficiência do sistema”, avaliou o CEO da companhia. Segundo ele, a maturidade média dos contratos vigentes da TAG é de 12 anos.