Venda de ativos da Cemig continua apesar da redução da alavancagem

Empresa vê redução da pressão de liquidez que gerou o programa de alienação de ativos no passado, mas mantém meta de se desfazer de participações que não considera seu core business

O programa de desinvestimentos da Cemig continua apesar da empresa encarar uma nova realidade em termos de alavancagem com os resultados obtidos no primeiro semestre de 2019. A estatal não apresenta a pressão por liquidez que levou à formação do plano de venda de ativos no passado, mas vê nessa medida um dos caminhos para alcançar maior eficiência operacional e foco em seu core business que é de operar ativos. Inclusive, a venda das participações da empresa nas usinas de Santo Antônio (RO, 3.578 MW) e de Belo Monte (PA, 11.233 MW).

No primeiro semestre do ano a companhia alcançou seu melhor resultado para um período de seis meses em sua história. No acumulado de 2019, a companhia apresentou um resultado positivo de R$ 2,9 bilhões ante os R$ 454 milhões do ano passado. A alavancagem da companhia, apontado como um dos gatilhos para a venda de ativos no passado chegou ao final de junho a 2,82 vezes a relação entre a dívida líquida e o resultado ebitda ajustado (que excluíram os efeitos não recorrentes reportados neste trimestre). Para efeitos de comparação, esse indicador em 2016 era de 4,98 vezes.

“O programa de desinvestimento continua, em 2018 a situação era mais complexa com mercado pior e as vendas tinham como objetivo um viés de obtermos liquidez, a companhia precisava vender ativos para honrar compromissos”, lembrou o Daniel Costa, diretor de Gestão de Participações da Cemig. “O processo que fomos conduzindo foi levando à melhoria operacional e o reperfilamento da dívida tirou a pressão de liquidez que tínhamos, mas o programa continua onde a meta agora é a de desonerar o balanço, antecipar a desalavancagem e isso é positivo, desonera o balanço de ativos que não apresentam o retorno esperado”, acrescentou o executivo.

A Cemig aponta ainda que essas vendas de participações minoritárias ajudam por desalavancar a companhia de dívidas mais caras. E que apesar de Santo Antônio e Belo Monte serem hidrelétricas a empresa não possui a influência suficiente para a operação desses ativos. “Nossa participação acaba sendo meramente financeira”, definiu o superintendente de Relações do Investidores da empresa, Antonio Carlos Velez.

Esses ativos são classificados como complexos, ainda mais Santo Antônio em decorrência do processo de recuperação judicial da Odebrecht, sócia no empreendimento localizado no Rio Madeira. Outro nessa condição é a Renova e a venda de Alto Sertão para a AES Tietê Energia.

Aliás, o processo da Renova deverá ser o mais próximo a se ter uma solução dentro do programa de desinvestimentos da estatal mineira. Até porque a empresa já deu um passo importante com a redução de sua participação acionária na Light de 49,9% para 22,6% e que agora a empresa pode esperar o melhor momento para a sua saída. Na Gasmig, há a perspectiva de renovação da concessão junto ao governo do estado que pode ajudar na venda da companhia ao renovar a concessão por mais 30 anos. Com isso, Belo Monte, que deverá ser concluída até novembro, deverá ficar por último na fila.