Momento é oportuno para mercado de gás, diz diretor da ANP

Conjuntura de transição energética e novo posicionamento da Petrobras são fatores que vão influenciar mercado

De acordo com o diretor-geral da Agência Natural de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Décio Oddone, o Novo Mercado de Gás tem o retrato necessário para ser exitoso, ao contrário de outras tentativas feitas em ocasiões anteriores. Segundo Oddone, que participou da abertura do Enase Gás, realizado nesta quarta-feira, 28 de agosto, no Rio de Janeiro, há uma conjunção de eventos como o fim do contrato com a Bolívia, o volume do gás da camada pré-sal e o fim do contrato da Petrobras e as distribuidoras que dão as condições. “Há uma conjunção de transformações”, explica.

Ele coloca dentro desses fatores a transformação da matriz energética global, que começou com o shale gas e a redução de carbono, que acabaram impactando de certa forma no setor. Ao mesmo tempo, ele também cita a disponibilidade de GNL no mundo e o reposicionamento da Petrobras, que dá nova dinâmica ao mercado. “Nesse ambiente de transição energética e de fim de monopólios estão as condições para o mercado do gás”, avisa. No Brasil, ele ressalta a iniciativa do governo, que por meio de órgãos como o Conselho Administrativo de Defesa Econômica e o Conselho Nacional de Política Energética, deram as diretrizes para o novo mercado.

O próximo leilão A-6, que vai ser realizado em outubro, deverá trazer um sinal de preço do gás, na opinião do secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Marcio Félix. Ele também acredita na importância do gás do pré-sal para o setor e acredita que o seu preço vai se ajustar ao mercado. “Estamos no limiar da virada. Estamos dentro de uma revolução e fazemos parte dela”, revela.

O presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres, Paulo Pedrosa, elogiou a consistência da equipe do MME ao formatar o novo mercado e frisou que a grande demanda de gás virá para usinas termelétricas e indústrias. Para ele, não confrontar os estados foi um acerto. Ele acredita que além do Sergipe, outros estados comecem logo a aderir as novas regras. Para ele, a dinâmica do gás é diferente da energia elétrica. Ele voltou a citar que o setor de gás deve aprender com os erros do setor elétrico, em que a insistência de subsídios acabou acarretando em tarifa alta e danos. Pedrosa também alertou para a redução de qualquer tipo de incerteza. Segundo ele, é necessário fazer o encontro entre os produtores e os consumidores de gás.