Transparência de preços ganha força no novo mercado de gás

ANP deverá divulgar valores médios de contratos a partir de setembro

A necessidade de transparência no preço vai ser um fator importante dentro do novo mercado de gás. Essa diretriz vai permitir que as empresas que atuem no mercado tenham uma base do que está sendo praticado. Em painel no Enase Gás realizado nesta quinta-feira, 29 de agosto, o assessor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Marcos Fidelis, explicou que a agência vai divulgar uma média de valores com um atraso em torno de dois meses. “Permite dar um balizamento, as empresas podem planejar suas futuras compras e vendas com uma visão boa do que está acontecendo, não ficando apenas com previsões e dados que não são tão precisos”, afirma.

Em julho, foi aprovada pela agência uma resolução que trata da transparência de preços, em linha com o novo mercado, que deve entrar em vigor em setembro. Ela vai permitir a divulgação dos preços médios ponderados por volume, baseados nas informações fornecidas pelos agentes. Os contratos de compra e venda de gás firmados com distribuidoras para atendimento ao mercado cativo também serão divulgados.

A ANP ganha papel relevante no novo mercado, já que a entrada de novos agentes e vai levar a deliberação de várias demandas de interesses diversos. Isso indica que ela vai necessitar realizar mais audiências e consultas públicas, possivelmente tendo que reforçar seu corpo técnico.

No mesmo painel, o presidente da Thymos Energia João Carlos Mello, acredita que no curto prazo, a abertura do Gasbol e de outros gasodutos vai ser um fator determinante para a queda no preço do gás natural. “O primeiro passo é efetivamente ter acesso aos gasodutos de transporte”, avisa. Segundo ele, houve o interesse do governo em fazer a competição do setor,  que aliado ao TCC do Cade com a Petrobras, vai propiciar o acesso ao transporte, gerando novos contratos. “Se espera para o ano que vem acesso e contratos bilaterais”, comenta.

Apesar dos prognósticos de baixa demanda para o próximo leilão A-6, Mello acredita que pelo menos uma usina termelétrica a gás será viabilizada. Essa usina, no caso de ser movida a gás do pré-sal, deverá entrar na base, de modo a aproveitar todo o insumo extraído. No dia anterior, o economista Carlos Langoni, um dos idealizadores do novo mercado, disse que o leilão A-6 desse ano já vai ser um sinalizador para o preço do gás.