Moody’s atribui ratings Baa3/Aaa.br à State Grid Brazil

Perspectiva estável indica redução da alavancagem nos próximos 18 meses à medida que novos projetos da holding se tornam operacionais, contribuindo para a melhora das métricas de crédito

A agência de classificação de risco Moody’s atribuiu pela primeira vez na história os ratings corporativos Baa3 na escala global e Aaa.br na escala nacional brasileira à holding State Grid Brazil, ambos com perspectiva estável. As avaliações levam em consideração os fluxos de caixa previsíveis da companhia, provenientes de suas concessões de longo prazo para transmissão de energia no Brasil, estas remuneradas com pagamentos baseados em disponibilidade, isolados do risco de volume. Os ratings também consideram a escala significativa da SGBH como a segunda maior transmissora privada de energia do país, operando uma carteira de ativos diversificada e importante para manter a confiabilidade do sistema interligado nacional.

O rating Baa3 na escala global incorpora uma nota um nível acima do perfil de crédito individual da empresa, refletindo a avaliação da agência da probabilidade de suporte contínuo de seu acionista controlador, a State Grid International Development Limited (SGID, A2 estável). Esta elevação é baseada em uma visão de forte alinhamento estratégico entre a controladora não doméstica e a operação brasileira, como demonstrado pelo compartilhamento do nome da controladora na razão social da companhia, pelas transferências de tecnologia para novos projetos e pelo histórico de suporte financeiro explícito, demonstrado através de cerca de R$ 7,3 bilhões em injeções de capital desde 2014 e empréstimos de partes relacionadas de aproximadamente R$ 4 bilhões ao final de 2018.

A análise também nota os incentivos estruturais para que o acionista controlador mantenha o suporte para a companhia no caso de dificuldades financeiras, devido à existência de cláusulas de default cruzado em escrituras de títulos de dívida garantidos pela SGID que estão relacionadas à inadimplência de qualquer subsidiária em que o controlador detenha mais de 50% de participação. Segundo a Moody’s a alavancagem atualmente elevada, evidenciada por uma Dívida Líquida consolidada sobre EBITDA de 8,4x, em dezembro de 2018, e sua exposição à volatilidade na taxa de conversão de moeda estrangeira, devido a 43% de seus passivos financeiros serem relacionados a empréstimos com partes relacionadas denominados em dólares e sem hedging, mitigam dois riscos.

Primeiro a expectativa de aumento significativo dos fluxos de caixa para o ciclo 2019/2020 com a conclusão de grandes projetos em construção, que apoiarão a redução da alavancagem líquida. Segundo, a flexibilidade da companhia em diferir os pagamentos dos empréstimos com partes relacionadas, caso haja necessidade, conforme os termos e condições das dívidas com o controlador.

Apesar da dependência da SGBH dos bancos e mercado de dívida locais para financiar suas operações, a maior parte de suas necessidades de financiamento já foram contratadas em estruturas de financiamento de projetos de longo prazo, mitigando o risco de refinanciamento no nos próximos anos, o que contribui para a empresa atingir um grau mais elevado de desvinculação do risco soberano do Brasil.

Por outro lado, os resultados da companhia são integralmente gerados no país, portanto a controladora pode estar menos disposta a fornecer suporte adicional a sua subsidiária em caso de uma crise financeira mais severa precipitada por um default soberano. Consequentemente, a qualidade de crédito da SGBH é de certa forma limitada pelo perfil de crédito nacional.

Por fim, a perspectiva estável assume que a SGBH reduzirá a alavancagem líquida nos próximos 12 a 18 meses beneficiada pelo aumento dos fluxos de caixa, à medida que novos projetos se tornam operacionais, contribuindo para a melhora das métricas de crédito, como o índica de dívida líquida sobre EBITDA chegando a 4,5x, de acordo com os ajustes padrão da Moody’s. A perspectiva estável também pressupõe que a companhia manterá uma postura conservadora em relação a novos investimentos e ritmo equilibrado de pagamento de dividendos aos acionistas, sem impacto significativo em seu perfil grau de investimento de crédito em base consolidada.