Memória da Eletricidade premia Furnas, Cemig e ex-presidente da Eletrobras

3ª edição do Prêmio Mario Bhering destacou iniciativas corporativas e pessoais para conservação do patrimônio histórico do setor elétrico

A 3ª edição do Prêmio Mario Bhering de Preservação de Memória homenageou empresas e profissionais do setor elétrico que contribuíram no último ano para a conservação do patrimônio histórico do setor elétrico e para a composição do acervo do Centro da Memória da Eletricidade no Brasil, promotora da premiação. Em cerimônia realizada na noite da última quarta-feira (25) no Museu de Arte do Rio, na capital fluminense, a instituição destacou ações corporativas desenvolvidas pelas estatais Furnas e Cemig e iniciativas individuais de figuras destacadas na área, entre os quais o engenheiro José Antônio Muniz Lopes, presidente da Eletrobras entre os anos de 2008 e 2011.

O projeto “Memória Furnas” rendeu à subsidiária da Eletrobras um dos prêmios na categoria Iniciativas de Preservação do Setor. A companhia deu início, a partir da implementação do programa, a diversas ações voltadas ao resgate da sua história, por meio da identificação, avaliação e reunião do patrimônio documental disperso por empreendimentos nas cinco regiões do país. Na mesma categoria, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foi reconhecida pelo seu projeto de reabertura do Museu Marmelos Zero, que completa 130 anos neste ano de 2019 e preserva a história da primeira usina hidrelétrica da América do Sul, localizada no município de Juiz de Fora (MG).

Crédito: Daniela Monteiro

O engenheiro José Antônio Muniz Lopes, que presidiu a Eletrobras entre os anos de 2008 e 2011, foi agraciado com prêmio na categoria Individual, juntamente com Paulo Azevedo Romano, primeiro diretor do antigo Dnaee, e o engenheiro Rodrigo Lopes (in memoriam). Os três foram homenageados por suas doações pessoais feitas ao acervo histórico da Memória da Eletricidade. Muniz Lopes atuou desde os anos 1980 como defensor da hidrelétrica de Belo Monte, e em 1989, já como diretor de Planejamento da Eletronorte, chegou a ser confrontado com um facão por uma índia da tribo Caiapó em um dos debates sobre a construção da usina – que só seria viabilizada nos anos 2010.

“Nesse audiência pública com representantes dos Caiapós, eles disseram que o nome Kararaô, que seria dado inicialmente à usina estudada no Xingu, era ofensivo a eles, por se tratar de uma entidade inimiga. Foi daí, no final dos anos 80, que de fato nasceu Belo Monte, e juntamente com ele uma verdadeira cruzada de anos e anos envolvendo centenas de profissionais do setor elétrico no sentido de viabilizá-la. Construir um empreendimento daquela dimensão, naquela região, exigia um tempo de maturação diferenciado mesmo”, rememora o Lopes, que presidia a Eletrobras quando o projeto foi finalmente leiloado pelo governo do ex-presidente Lula, em 2010.