Maurício Tolmasquim é reconhecido por modelo de leilões de energia

Ex-presidente da EPE foi escolhido pela Revista Latin Trade como uma das 25 pessoas que transformaram a América Latina nos últimos 25 anos

O ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) Maurício Tolmasquim foi escolhido pela Revista Latin Trade, em sua edição comemorativa, como uma das 25 pessoas que transformaram a América Latina nos últimos 25 anos. O executivo foi reconhecido pelo bem-sucedido modelo de leilões públicos para contratação de energia elétrica, implementado no Brasil em 2005 e que está vigou até os dias atuais.

De acordo com a publicação, Tolmasquim foi reconhecido por desenhar os modelos de leilões de energia no Brasil, com contratos de longo prazo, que permitiram dar segurança aos investidores estrangeiros, garantiu a expansão da matriz e a inserção das novas renováveis. Atualmente, a fonte eólica e solar são as mais competitivas do país.

O desenho de mercado brasileiro foi copiado por outros países da América Latina, como Uruguai, Argentina, Colômbia, Costa Rica, Nicarágua e Belize. Segundo a Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA, na sigla em inglês), cerca de 100 países copiaram o modelo de leilão brasileiro para permitir a penetração das fontes renováveis.

“Para minha surpresa fui um dos homenageados. A razão de minha escolha foi a implantação de contratos de longo prazo e leilões de energia como meio de expansão da geração de fontes renováveis”, disse Tolmasquim, atualmente acadêmico visitante do Banco Interamericano de Desenvolvimento e mora nos Estados Unidos.

Em entrevista à Agência CanalEnergia, o executivo lembrou da época que chegou ao governo. O Brasil tinha passado por um racionamento de energia, o que prejudicou bastante a economia do país. O desafio posto para o executivo era garantir que situação semelhante não se repetisse, em um país cuja demanda crescia 5% ao ano, ou seja, um desafio de instalar 6 GW por ano.

“Na época, estava claro que o país precisava do capital privado para fazer isso, o Estado não tinha condição de fazer esse investimento todo”, relembra Tolmasquim. “Conversei com muitos investidores e ficou claro que o país precisava ter contratos de longo prazo que dessem segurança aos investidores, mesmo quando a economia brasileira enfrentasse uma crise. A forma mais transparente que encontramos foi contratar energia através de leilões públicos”, narrou.

De 2005 até maio de 2018, foram realizados 40 leilões de energia elétrica, que resultaram na contratação de 1.229 usinas, adicionando 92 GW de nova capacidade instalada no Brasil. “Esse modelo foi fundamental para democratizar o investimento, permitindo a participação de médios e pequenos investidores, o que foi muito importante no início para as fontes renováveis”, disse Tolmasquim. “Agora é natural que alguns dos elementos que foram criados precisem ser revisto, dado a maturidade que as renováveis atingiram em nosso país”, concluiu.