GD: mudança de regra pode incentivar uso de baterias, diz Comerc

Segundo estudo realizado pela empresa, mudança no sistema de compensação de créditos de energia vai aumentar a taxa de retorno dos projetos solares

Ao mesmo tempo que a mudança nas regras de geração distribuída pode reduzir a taxa de retorno dos projetos solares também pode incentivar o uso de bateria, disse o presidente da Comerc Energia, Cristopher Vlavianos, durante coletiva de imprensa nesta terça-feira, 26 de novembro.

A revisão das regras para geração distribuída está em discussão na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Ainda não está claro o formato final da proposta da Aneel, que conta com cinco possibilidades de cobrança pelo uso da rede de distribuição.

Questionado por jornalistas se revisão da REN 482/12 poderia incentivar o uso de baterias para armazenamento de energia, Vlavianos respondeu positivamente. A lógica é que com o aumento do payback dos projetos solares o investimento em bateria passe a fazer sentido para o consumidor que deseja ter um suprimento sem interrupções.

“A bateria residencial vai acontecer e não vai demorar muito”, disse o executivo. “O consumidor residencial vai olhar a bateria mais como uma garantia de suprimento do que como arbitragem de preço da energia”, justificou.

O Grupo Comerc aposta no mercado de baterias de íon de lítio, tanto que criou a MicroPower Comerc, que já instalou três sistemas de armazenamento no Brasil. Uma fica em um escritório da DocLabs, outra em uma unidade do MC Donald’s e outra um shopping na Bahia. “A gente aposta muito em armazenamento de energia”, afirmou o presidente da Comerc.

Ameaça à GD Solar

Segundo estudo realizado pela empresa, a mudança no sistema de compensação de créditos de energia vai aumentar a taxa de retorno dos projetos solares. Com as regras atuais, o payback da fonte solar distribuída está entre 2,85 anos (melhor cenário) e 5,12 anos (pior cenário). Considerando os cenários propostos pela Aneel, a taxa de retorno pode aumentar entre 84% (5,6 anos) e 120% (11,26 anos), considerando projetos rooftop, onde o ponto de geração e consumo acontecem no mesmo lugar.

“Outro reflexo negativo seria que, enquanto temos um cenário competitivo no modelo atual, no qual quase todas as capitais brasileiras têm um payback que varia entre 3 e 5 anos, a proposta da Aneel pode fazer com que tenhamos taxas de retorno superiores a 9 ou 10 anos”, disse Marcel Haratz, diretor da Comerc Esco e Solar.

“A pior regra é a que está para mudar e não muda, pois não é possível fazer a conta para medir o impacto”, disse Vlavianos.