Banco Europeu de Investimentos financiará parques da Neoenergia

Acordo entre a controladora Iberdrola e a instituição de fomento foi assinado durante a COP 25 e soma o valor de 250 milhões de euros em cinco anos

A Iberdrola assinou com o BEI (Banco Europeu de Investimentos) dois acordos para o financiamento de projetos no Brasil e na Espanha. Ao total, os contratos somam 690 milhões de euros. Desse valor, 250 milhões de euros (cerca de R$ 1,2 bilhão) serão destinados a 15 parques eólicos nos complexos de Oitis e de Chafariz a serem construídos em três estados do Nordeste. Os € 440 milhões restantes ficarão no país sede da companhia para aportes em redes de distribuição.

Os acordos foram firmados nesta quinta-feira, 5 de dezembro, durante a COP-25, evento que discute a questão climática e é realizado em Madri até o dia 13 de dezembro.

Esse é mais um passo da empresa, que controla a Neoenergia no Brasil e que tem como meta o investimento de R$ 30 bilhões para o período de 2019 a 2023. Esses recursos obtidos destinam-se a projetos nos estados da Paraíba, Piauí e Bahia.

Dos valores levantados, 90% têm como destino o Complexo de Oitis e 10% o de Chafariz. O primeiro está em fase de licenciamento e o segundo as obras iniciaram no início de outubro que somam ao total de R$ 4,7 bilhões. Os parques têm 30% da energia alocada no mercado regulado e 70% no livre.

O restante dos recursos deve ser obtidos por meio de outros mecanismos como debêntures de infraestrutura, financiamento com o BNDES e outras fontes de funding, acrescentou o CEO da Neoenergia, Mario Ruiz-Tagle.

Ignácio Galán, da Iberdrola, e Emma Navarro, do BEI, durante assinatura de acordo em Madri

Ignacio Galán, CEO global da Iberdrola, lembrou que a companhia que dirige é o maior recebedor de recursos dos bônus verde do BEI na Espanha e que essa fonte abre as oportunidades de investimentos no país. Nesse plano a companhia estima que os aportes anuais estão na ordem de R$ 5 bilhões no período.

“Estamos fazendo mais de 1 mil MW em projetos de geração no norte e nordeste, mais de 4.500 quilômetros de linhas de transmissão, atuando para deixar as nossas distribuidoras mais eficientes. Para isso deveremos criar mais de 4 mil empregos nos próximos anos para completar nossos projetos”, relacionou o executivo após a assinatura. E acrescentou ao afirmar que o ambiente ideal para oficializar esses acordos com o BEI é justamente durante o evento da UNFCCC que discute as mudanças climáticas.

Um dos pontos destacados por Emma Navarro, vice presidente do BEI e responsável pela ação climática da instituição e de suas operações na Espanha, é o viés dos projetos englobados nesse contrato com o Brasil para a geração de energia por meio de fontes renováveis. A entidade, inclusive tem na América Latina uma operação ampla, destacou a executiva. Não há uma linha específica para o segmento, pois financiamentos para projetos dessa natureza ocorrem sob demanda.

Nesse sentido, acrescentou, a América Latina representa acordos que somam 650 milhões de euros. “Temos uma aposta forte em ações que tragam efeitos positivos ao meio ambiente e ao clima. Com essa visão, 65% das nossas operações estão na região e o Brasil é um país chave para o BEI”, afirmou Emma. Além de projetos eólicos, o banco já promoveu financiamentos a distribuidoras, como da própria Neoenergia, projetos de geração solar e tratamento de água e esgoto, entre outros.

Para a executiva do BEI, firmar acordos como estes assinados com a Iberdrola são um grande exemplo dos esforços do banco para apoiar a ação a favor do clima dentro e fora da Europa. E aponta que a instituição quer se tornar parte importante na resposta que o mundo precisa dar para cumprir os desafios de redução das emissões de gases de efeito estufa acordados durante a COP em Paris, realizada em 2015.

Em 14 de novembro o Conselho de Administração do BEI aprovou seus novos objetivos climáticos e a nova política de serviços energéticos. Os objetivos aumentarão gradualmente o financiamento para essa finalidade em até 50% em 2025, representando um valor de 1 bilhão de euros.

*O repórter viajou a convite da Neoenergia