Parque Tecnológico visa reduzir dependência de Itaipu

Instituição tem 70% de seu orçamento ligado à hidrelétrica binacional, mas quer diversificar suas fontes ao oferecer soluções ao mercado em geral

O Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), fundado em 2005, quer reduzir sua dependência financeira da Itaipu Binacional e diversificar suas fontes de receita. Para isso possui um novo planejamento estratégico para que no horizonte de 2024 possa ser um centro de pesquisas de mercado para viabilizar sua sustentabilidade com foco em resultados. A meta é de ter como maior fonte de financiamento as receitas próprias obtidas por meio de projetos conveniados com clientes.
Atualmente, explicou o diretor superintendente do PTI, general Eduardo Castanheira Garrido Alves, 30% do orçamento da instituição vem da geradora sob forma de financiamento de base, ou seja, o custeio da instituição. Mas ainda há outros 40% que são obtidos de Itaipu, mas como cliente de projetos diversos ali desenvolvidos. “Em nosso planejamento para o período de 2019 a 2024 temos como meta reduzir essa dependência, estamos buscando as opções e colocando as tecnologias à disposição do mercado para viabilizar a nossa sustentabilidade. Estamos focados em resultados”, disse ele a jornalistas.
Garrido comentou que dentre as formas que a instituição busca para alcançar a meta está a de locar parte da estrutura que disponibiliza na área ocupada anteriormente pelo alojamento de operários que construíram a usina nas décadas de 1980 e 90. Ele citou o Porto Digital de Recife como um modelo para o negócio a ser conduzido ali no PTI nesse campo.
Segundo o plano da instituição, a meta é de já em 2021 reduzir de 30% para 25% o total da participação da Itaipu Binacional no custeio básico do PTI. E ainda, ter projetos conveniados respondendo por 30% das receitas para a geradora e outros 30% derivados de atendimento a clientes. Aos poucos, continuou, a meta é alterar aos poucos o  perfil do funding como uma instituição de mercado voltada à inovação.
Durante visita às instalações foram apresentados exemplos dos trabalhos em curso. Apesar de não existir uma grande capacidade de produção, o PTI vem atuando em seus laboratórios para atender demandas como desenvolvimento de tecnologia para segurança de barragens, de monitoramento de equipamentos e sensores para a própria usina e também para a Eletronuclear. Segundo o PTI, a economia proporcionada pelo Laboratório de Automação e Simulação de Sistemas Elétricos (Lasse) chegou a 90% ante preços de equivalentes no mercado em alguns projetos para a própria Itaipu.
No planejamento em execução houve a definição de escopo de trabalho. Como resultado foram definidas como áreas de atuação a pesquisa e desenvolvimento, inovação e negócios, e ainda, suporte à educação e extensão. As temáticas estão em agronegócios, energias, segurança de infraestruturas críticas, turismo & cidades e educação.
O diretor afirmou ainda que o PTI está com 16 startups funcionando em suas instalações no oeste do Paraná, que atua como incubadora. Nesse momento a instituição quer atrair novas organizações.
Dentre os principais temas de atuação, explicou o executivo, estão pesquisas com biogás a partir de dejetos, um tema já tradicional por ali, até porque a região é grande produtora de suínos e aves. Há ainda estudos sobre baterias de níquel-sódio para armazenamento de energia associada a um sistema de geração solar fotovoltaica e microgrids. E ainda, estudos sobre estruturas críticas de barragens, cidades inteligentes e soluções para estações meteorológicas.
Ele citou ainda entre os projetos que já resultaram em soluções, a criação de software de reconhecimento facial e que será levado a um ambiente externo em Foz do Iguaçu. “Agora estamos discutindo as fontes de receita, pois o que temos é a tecnologia e não o dinheiro, por isso, para produzirmos precisamos de parceiros”, finalizou ele.
*O repórter viajou a convite de Itaipu Binacional