Nível da Enel GO não é o ideal, mas está em evolução, diz diretor

Para a Aneel, indicadores de qualidade da distribuidora ainda são um ponto de atenção

O diretor de Infraestrutura e Redes da Enel Brasil, Guilherme Lencastre, reconheceu em audiência pública no Senado que as melhorias realizadas na Enel Goiás não chegaram a um nível ideal, mas destacou que alguns indicadores da distribuidora tiveram evolução importante desde a privatização em 2016. O executivo afirmou que os compromissos de investimento tem sido cumpridos, e em 2020 será investido cinco vezes mais do que quando a companhia era estatal.

O diagnóstico apresentado na reunião da Comissão da Infraestrutura pelo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, André Pepitone, é de que qualidade do serviço da concessionária ainda está longe de atender as necessidades dos consumidores, mas tem apresentado evolução. Lencastre e Pepitone foram ouvidos nesta quarta-feira, 4 de março, na audiência que teve também como convidado o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Pepitone disse que a empresa conseguiu cumprir a proposta do Plano Emergencial apresentado à Aneel em fevereiro do ano passado, no que diz respeito à aceleração dos investimentos para melhoria da qualidade, à ampliação dos trabalhos de operação e manutenção e à realização de investimentos para atendimento à demanda.

Um ponto de atenção ainda é a evolução dos indicadores de qualidade por conjuntos de consumidores. Também foi cumprido o compromisso com o governo estadual para atendimento à demanda reprimida de novas ligações e a instalação de um banco de capacitores e conexões rurais.

Em consequência dos problemas na prestação do serviço, desde 2018 a Enel Goias está com limitação na distribuição de dividendos aos acionistas. Em dezembro do ano passado, ela foi multada em R$ 62 milhões por problemas no atendimento comercial. A empresa também passou por fiscalização técnica e foi notificada por descumprimento dos indicadores de qualidade DEC e FEC e falhas nos procedimentos de operação e manutenção.

Para Lencastre, “o grande desafio é como reerguer a estrutura de uma distribuidora tão grande, sendo que nas últimas duas décadas ela teve subinvestimentos.” De 2017 a 2019 os investimentos em modernização e ampliação chegaram a R$ 2,3 bilhões e, para os próximos dois anos, esse valor será de R$ 3,2 bilhões, informou o executivo.

Ele destacou melhora nos indicadores de qualidade relacionados ao fornecimento de energia elétrica. O número de quedas de energia caiu de 23,9 vezes para 9,86 vezes, e a meta é chegar a 9,22 este ano. A redução do tempo médio das interrupções por cliente foi de 27%.

O diretor contabilizou ainda queda expressiva no número e na frequência de acidentes; a ampliação e modernização de 43 subestações, além da construção de seis subestações novas até o fim do ano. Parte dos investimentos também foi empregada na automação da rede, e uma série de iniciativas de atendimento ao cliente tem resultado em redução do número de reclamações de consumidores, afirmou.

O grupo italiano assumiu a empresa já no segundo ciclo do Plano de Resultados aplicado pela Aneel, em 2017. A antiga Celg D foi arrematada em leilão pela Enel em novembro de 2016.

O diretor da Aneel explicou que nos dois primeiros anos da concessão houve certa tolerância em relação aos limites dos indicadores de qualidade, mas essa tolerância tem sido cada vez menor ao longo do tempo, com a trajetória de redução estabelecida para a empresa. O contrato de concessão das distribuidoras prevê que o descumprimento por dois anos consecutivos do critério de eficiência com relação à qualidade do serviço prestado resulta em extinção da concessão. A avaliação sobre o desempenho da Enel Goiás será feita em 2022, no quinto ano de vigência do contrato da empresa.