Itaipu e elétricas adotam planos de contingência em meio a pandemia

Usina terá fundo emergencial para Foz e outras cidades, enquanto elétricas fecham agências e criam comitês de crise para buscar alternativas e avaliar permanentemente a situação

A usina de Itaipu, assim como diversas empresas do setor energético brasileiro e mundial, adotou uma série de medidas internas e externas para evitar a disseminação do novo Coronavírus, sem prejudicar à produção de energia elétrica para a população. Entre elas está a liberação de um fundo emergencial de US$ 3 milhões para ajudar Foz do Iguaçu e as demais cidades da 9ª Regional de Saúde do Paraná a combater a pandemia. Visando garantir o funcionamento normal da hidrelétrica, a companhia colocou em prática um plano de contingência, com período de execução a partir desta sexta-feira, 20 de março, valendo por duas semanas.

Apenas os empregados que não podem exercer suas funções em casa e trabalham em atividades consideradas essenciais terão suas rotinas mantidas. Um escalonamento será feito, caso haja necessidade. Já os demais adotarão o sistema home office, a exemplo do que vem sendo feito por outras empresas do setor público e privado. A decisão foi tomada logo depois de uma reunião extraordinária do diretor-geral brasileiro, Joaquim Silva e Luna, com o Grupo de Gestão Estratégica, criado na última terça-feira (17) para discutir ações relacionadas ao Covid-19, e que emite boletins diários com instruções para os empregados.

“É um momento que requer atenção redobrada. Vamos acompanhar atentamente a situação nacional e internacional, tomando todos os cuidados necessários, preservando o nosso bem maior, que é a nossa gente, e a atividade fim da empresa, a geração de energia elétrica”, disse o diretor-geral brasileiro, general Joaquim Silva e Luna.

Agências fecham e WhatsApp vira alternativa

Visando preservar a saúde dos clientes e colaboradores, diversas companhias elétricas suspenderam o atendimento presencial e liberaram a maioria dos funcionários para trabalharem remotamente. Em nota, a Enel Distribuição São Paulo informou que paralisou temporariamente todas suas lojas físicas. O atendimento continuará por meio dos canais digitais, que funcionam 24 horas por dia. Sobre os serviços que até então eram realizados apenas nas agências, como solicitação de nova ligação, a empresa afirmou estar trabalhando para oferecer um novo canal exclusivo e não presencial aos clientes, via whatsapp. A previsão é que esteja disponível a partir do próximo dia 23 de março.

Outra que fechou as agências foi a Cemig, orientando os consumidores para os canais virtuais. O gerente de Relacionamento com os Clientes da Cemig, Luciano José de Oliveira, reforçou que a empresa está empenhada prioritariamente em manter a continuidade do fornecimento de energia em toda sua área de concessão, atuando de forma a garantir a segurança e conforto dos clientes durante o período de maior incidência do vírus.

Já a Neoenergia lançou números de whatsapp para o atendimento. A utilização da ferramenta é simples: por meio do WhatsApp ou QR Codes, há o direcionamento a mais de 50 serviços que podem ser resolvidos. Além disso, há a possibilidade de comunicar interrupções de energia via mensagem no aplicativo, enviando o número da conta contrato, agilizando a realização do serviço. Também como forma de prevenção, foi restringido o atendimento presencial apenas aos serviços de Ligação Nova, Alteração de Titularidade, Religação, Negociação de Débitos e Entrega de Projetos.

Em comunicado, a Taesa falou em “proteger seu maior ativo – as pessoas”, e reduzir a velocidade de disseminação do Covid-19 no país, anunciando medidas como home office para o grupo considerado de risco e os funcionários no Rio de Janeiro, devido à grande concentração de profissionais em ambiente fechado. Foi criado também um plano de contingência para os Centros de Operação e Controle da Companhia (COC-Taesa e COC-Backup), com o objetivo de reduzir a possibilidade de contaminação de todos os colaboradores e, em especial, os integrantes dos turnos de revezamento que atuam na sala de controle em tempo real.

Na nota, a companhia ressaltou que, dada as características do negócio de transmissão, suas 39 concessões possuem contratos de longo prazo com receitas fixas, reajustadas pela inflação e baseadas no desempenho e disponibilidade das linhas e subestações, e que vem monitorando de perto suas operações e o avanço na construção de todos os seus empreendimentos, afirmando que até o momento todos os fornecedores vem trabalhando normalmente com a manutenção do cronograma de entrega das obras.

Por sua vez, a ISA Cteep instalou um comitê permanente de crise, reforçando a higienização em todos ambientes de trabalho e transporte funcional, além de suspensão de viagens, e outras ações. Segundo a transmissora, os negócios tem receita regulada e previsível, sem risco de demanda, o que não afetará a posição de liquidez. “Trabalhamos incansavelmente e ininterruptamente para proteger os interesses de nossos stakeholders, além de garantir a continuidade da operação. Devemos enfrentar essa situação com calma, mas sem subestimar os riscos”, afirma a nota.

Nos mesmos moldes, a Alupar instituiu um Comitê de Crise Emergencial, responsável pelo Planejamento de Contingência para lidar com a situação, afetando os Centros de Operações, Subestações e Canteiros de Obras. A companhia salientou que o desafio do momento, além de passar por essa crise, é garantir a regularidade das operações e a continuidade dos projetos em implantação. “Ressaltamos que todos os projetos em implantação no Brasil já fizeram suas respectivas captações de longo prazo, não sendo necessárias novas captações no curto prazo”, sustenta o final do texto.