Eletrobras projeta investir R$ 32,4 bi até 2024

Plano 2020 - 2024 foi concebido sem considerar impactos da covid-19 cujos efeitos deverão ser sentidos, mas que não podem ser dimensionados neste ano

O Plano Diretor de Negócios e Gestão (PDNG) da Eletrobras para o período de 2020 a 2024 foi aprovado pelo conselho de administração da estatal na última sexta-feira, 27 de março. A previsão é de que a companhia realize investimentos de R$ 32,4 bilhões somando Geração,  Transmissão e Infraestrutura e Ambiental.
Como não poderia deixar de ser, o maior montante está alocado nos dois primeiros. Em geração o destaque está para os R$ 13,9 bilhões referentes aos investimentos na usina nuclear de Angra 3 e em manutenção nessa área de atuação estão previstos R$ 5,5 bilhões e mais R$ 1,2 bilhão em SPEs. Em transmissão são projetados R$ 9,4 bilhões nos cinco anos que foram iniciados em janeiro.
Por ano, a previsão da estatal era a de aplicar R$ 5,3 bilhões em 2020, R$ 6,7 bilhões em 2021, R$ 7,4 bilhões em 2022, R$ 6,9 bilhões em 2023 e R$ 6,1 bilhões em 2023. Contudo, logo no início do comunicado sobre o plano a elétrica reforçou que os números “foram elaborado antes do surto do COVID-19 no Brasil e, portanto, não contempla seus possíveis impactos nos negócios da companhia, que foram objeto de esclarecimentos de outro Fato Relevante também divulgado ao mercado, nesta data, especificamente sobre este tema”.  (ver texto mais abaixo).

Na diretriz estratégica de gestão, a primeira iniciativa apontada é da implantação do programa Orçamento Base Zero que tem como objetivo reduzir as despesas operacionais e melhorar a elaboração, gestão e controle do orçamento. Nesse ponto o plano tem como meta uma economia estimada de R$ 282 milhões em 2020, R$ 181 milhões em 2021 e R$ 31 milhões em 2022, totalizando R$ 494 milhões.

Já em eficiência de geração e transmissão a estatal aponta a busca pela consolidação de sua atuação jurídico-regulatória junto aos stakeholders visando o incremento de receita através de projetos como ressarcimento dos valores ainda não reconhecidos a titulo de neutralidade econômico-financeira, pela gestão das distribuidoras, durante o período de designação, que é calculado em R$ 3,7 bilhões a valores de setembro de 2019, outros R$ 10 bilhões equivalentes à parcela financeira de remuneração (Ke) e depreciação não pagas, desde a prorrogação das concessões de transmissão pela Lei 12.783/13. E outro montante não apontado a título de investimentos não amortizados sob a mesma lei que derivou da MP 579 de 2012.

Há ainda outros R$ 5,4 bilhões referentes ao direito de recebimento de créditos da Conta de Consumo de Combustível (CCC), cedidos pelas distribuidoras privatizadas à Eletrobras. No plano a empresa manteve diversas orientações como a busca pelo incremento da receita com a prestação de serviços ancilares, mas nesse caso sem indicar um valor específico.
Dentre as principais metas destacadas pela companhia estão, alcançar alavancagem que é medida pela relação entre a dívida líquida sobre o ebitda ajustado menor que 2,5 vezes. A meta de eficiência ficar em 1x o PMSO sobre o PMSE regulatório. A taxa de acidentes com afastamentos em 2,48.
Impacto da Pandemia
Em fato relevante específico sobre a pandemia, a estatal afirmou que monitora o avanço do novo coronavírus e busca preservar seus empregados e colaboradores, evitando a propagação da doença, inclusive por meio da criação de um Comitê de Crise, que tem por objetivo coordenar e monitorar todas as ações relativas à pandemia.
Dentre as ações, informa que, dentro do possível, antecipou férias, aprovou compensação de banco de horas, autorizou o teletrabalho, restringiu a realização de viagens nacionais e reuniões com a participação de número elevado de pessoas, proibiu viagens internacionais e colocou os colaboradores que apresentaram sintomas em quarentena, tendo solicitado ainda que seus prestadores de serviços observassem, igualmente, todas as orientações do Ministério da Saúde.
Aponta ainda que foi criado um plano de ação de contingência com o objetivo de mapear, monitorar e orientar os empregados sobre as ações necessárias nas operações de geração e transmissão.
Nos impactos no segmento de geração a Eletrobras estima que as estimativas de desaceleração da economia projetada pelo governo afetará o consumo de energia por sua correlação direta. No ACR menos que no ACL.
“No ACL, há um aumento da probabilidade de inadimplência nos contratos, bem como da solicitação de renegociação dos montantes contratados, tendo em vista uma potencial redução da demanda de energia, refletindo, portanto, em risco de impacto na receita esperada para os próximos meses”, aponta a empresa.
Que acrescenta ainda, “Ademais, nesta conjuntura, espera-se que haja baixa de liquidez no mercado de energia, o que pode refletir em dificuldades de se fazer novos negócios de comercialização. Destaca-se, neste sentido, possíveis cancelamentos e atrasos de leilões de energia nova promovidos pelo Governo Federal”.
Já em transmissão a companhia não prevê que o surto de covid-19 venha impactar as receitas dos ativos de transmissão, uma vez que a RAP contratada está relacionada à disponibilidade dos ativos no sistema interligado, não tendo relação com o fluxo de energia transmitido.
Apesar disso, a elétrica considera que ainda não está claro de quanto será a redução do consumo de energia elétrica no Brasil e nem a duração desta redução, sendo necessário, portanto, o monitoramento do mercado e atualização das estimativas quando houver a divulgação de informações oficiais pelos órgãos responsáveis. E reforçou que espera impacto, mas que ainda não é possível dimensionar esses efeitos.