Consumo do mercado livre despenca durante isolamento

Redução da demanda é verificada em todo país, porém a situação é mais grave no setor produtivo

O consumo de energia em todo país despencou desde o início das medidas de combate ao novo coronavírus (Covid-19). No entanto, chama a atenção o desempenho da cadeia produtiva. O setor automotivo, por exemplo, registra queda de 53% no consumo de energia. Já o têxtil apresentou redução de 40%

“Nas três semanas após a implementação de medidas de contenção ao alastramento do novo coronavírus, a média do consumo de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) caiu 10% em relação à primeira quinzena de março”, escreveu a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em nota divulgada na última sexta-feira, 17 de abril.

No Ambiente de Contratação Livre (ACL), onde se encontram o setor produtivo, a queda no consumo de energia chegou a  14% no período de isolamento. No Ambiente de Contratação Regulada (ACR), onde se encontra a classe residencial, a demanda diminuiu 9%. A queda é menor no ambiente regulado por causa da continuidade do consumo de energia pelas pessoas que se encontram em casa.

Os dados são preliminares e comparam o período entre 18 de março e 10 de abril com as semanas de 1º a 17 de março. Os dados não consideram o consumo de Roraima, uma vez que o estado não está conectado ao sistema elétrico nacional.

A CCEE também destaca o consumo do segmento de serviços, que apresenta redução de 34%. Manufaturados reduziram a demanda em 26%, enquanto o setor de minerais não-metálicos e o comércio tiveram queda de 19% e 13%, respectivamente.

Demanda nos estados

O estado do Rio Grande do Sul foi o que apresentou a maior queda no consumo de energia desde que as medidas de combate à Covid-19 começaram a vigorar, com redução de 23%. Entre as maiores cinco variações percentuais, também aparece Santa Catarina, com 18%. Alagoas e Paraná empatam com 14% e o Sergipe registrou diminuição de 13%.

São Paulo, que é o estado com maior participação no consumo de energia no país (27%), reduziu sua demanda de 17.935 MW médios para 15.888 MW médios, uma queda de 11%. Entre os estados com as maiores médias de volume consumido de energia também se destacam Paraná (- 9%), Rio de Janeiro (- 7%) e Minas Gerais (- 5%). Maranhão e Tocantins foram os únicos que apresentaram aumento no consumo, de 2% e 1%.

Por submercado, as quedas no consumo de energia ocorreram da seguinte forma: Sudeste/Centro-Oeste registrou queda de 9%, o Sul apresentou a maior redução percentual, com 18%, o Nordeste verificou contração de 10% e, o Norte, de 4%.