ABEEólica dialoga para avaliar impactos da Covid-19

Associação criou GT para avaliar impactos do nova coronavírus. Para presidente executiva da associação, boa imagem regulatória do país deve ser preservada

Em webinário sobre o impacto da Covid-19 na indústria eólica na América Latina realizado pelo Global Wind Energy Council nesta sexta-feira, 24 de abril, a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Élbia Gannoum, revelou que associação está colaborando com os Ministérios de Minas e Energia e Economia, em conjunto com stakeholders, de modo a avaliar o impacto do novo coronavírus no setor eólico nacional. De acordo com ela, também foi criado na associação um grupo de trabalho na ABEEólica sobre a crise causada pela pandemia.

Ainda segundo ela, não houve impacto significativo nos parques em construção nem na cadeia de suprimentos eólicos. A presidente executiva da  associação também classificou como importante a proposta emergencial do BNDES, que consiste em um standstill que vai permitir que as empresas que negociam diretamente com o banco a suspensão temporária por prazo de até seis meses de amortizações de empréstimos contratados junto ao banco. Uma das contrapartidas é a distribuição de dividendos fica limitada ao mínimo legal. “É uma boa alternativa”, afirmou. Ela citou ainda o adiamento dos leilões de energia, que estavam previstos para o primeiro semestre. “É um impacto quando falamos da perspectiva de investimentos”, explica.

A discussão sobre a definição de força maior para os contratos de geração com as distribuidoras também foi lembrada pela executiva, que frisou a boa imagem regulatória que o país tem, mostrada por meio dos leilões de energia e os contratos do ambiente regulado. Esse ambiente deve ser preservado para o pós crise. “Haverá o dia em que a crise vai terminar e nós vamos precisar ter leilões e investimentos”, avalia, lembrando que o mercado, órgão regulador e governo tem grande responsabilidade neste momento.

No webinário, Juan Roberto Paredes, Especialista Sênior em Energia Renovável da Divisão de Energia do Banco Interamericano de Desenvolvimento, vê no curto prazo impactos na América Latina para a cadeia de suprimentos, na demanda de eletricidade e no desenvolvimento de projetos. No médio prazo, ele identifica quedas na produção e atraso em planos de descarbonização.