Previsão de GSF poderá recuar para 79,2% no ano com revisão de carga

Estimativa é de que os reservatórios do SIN fiquem com um nível de armazenamento 2,2 pontos porcentuais acima do estimado anteriormente, passando a 34% em novembro

A análise de sensibilidade aplicada à primeira revisão quadrimestral de 2020 aponta que o nível de armazenamento nos reservatórios do SIN deverá aumentar em 2,2 pontos porcentuais quando comparado ao esperado em novembro. A estimativa passa a 34%. Já o índice de GSF médio é estimado em 79,2% neste ano, ante os 80,8% esperados no início de maio. Os dados foram apresentados nesta sexta-feira, 15 de maio, em um workshop promovido em conjunto entre as entidades responsáveis pela previsão, a CCEE, ONS e EPE.

Os números finais para a revisão extraordinária ainda estão em refinamento, mas a tendência é de que possam ficar prontos nos próximos 10 dias. Assim poderão ser apresentados já na próxima reunião do Programa Mensal de Operação, marcada para os dias 28 e 29 de maio. Segundo o diretor geral do operador, Luiz Eduardo Barata, assim o comando legal de antecipar os dados em 30 dias seria atendido, já que deverá ser aplicado no PMO de julho.

Em termos de armazenamento, o destaque com essa revisão é o Sudeste, que deverá apresentar um aumento nos níveis ante a projeção anterior. Os volumes esperados para novembro são 2,6 p.p mais elevados ante a curva anterior prevista pela CCEE.

O presidente do conselho de administração da CCEE, Rui Altieri Silva, reafirmou que a perspectiva atual é de que a profundidade da redução de consumo chegou ao seu limite. Com dados de mais uma semana apresentados, a curva de consumo manteve o mesmo nível da consolidada anteriormente. A queda no SIN no período de 21 de março a 8 de maio é 15% quando comparado aos volumes registrados nos 20 dias anteriores. No ACR a retração é de 14% e no ACL de 19%.

“O consumo está bem alinhado o que mostra estabilização. Mas há duas variáveis que podem alterar isso, de um lado a liberalização do isolamento que pode elevar esse consumo e por outro lado maiores restrições como o lockdown que já acontece em algumas cidades no Norte e no Nordeste”, lembrou ele.

Inclusive, esses dados ainda não foram retratados na curva de consumo na CCEE porque começaram no final de semana. Mas a tendência, comentou o executivo, é de que não tenham impacto expressivo. Nesse sentido, continuou, seria possível notar uma inflexão dessa curva se grandes centros urbanos decretarem o lockdown ou a flexibilização das regras. Dentre as cidades que teriam essa capacidade estão São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, entre outras de maior porte.

“O que nós temos de certeza é que não acertaremos 100%, são inúmeras variáveis que são muito dinâmicas, mas estamos com um nível de assertividade muito bom”, acrescentou ele.

No final de março, as entidades apresentaram os resultados da primeira revisão quadrimestral da carga onde era considerado que a economia ainda apresentaria um desempenho de estabilidade ante 2019. Já na semana passada as entidades revelaram que seria solicitada a revisão extraordinária ante as novas projeções de PIB, a análise tomou como base uma queda de 5%.

Na comparação com 2019, a revisão extraordinária levaria a carga a um patamar 2,9% menor. Na versão original do documento era previsto um crescimento de 4,2%. Agora as entidades estão trabalhando para refinar os dados e apresentá-los ao mercado com uma análise de sensibilidade contendo projeções otimista e pessimista em relação ao cenário base.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Thiago Barral, explicou que as equipes de economia e de carga da entidade estão trabalhando para finalizar as análises de sensibilidade. Hoje o cenário base é de queda da economia de 5%, conforme apontado na semana passada. E lembrou que a EPE realiza ainda outros cenários, tanto para cima quanto para baixo desse ponto de referência.

“Quando trabalhamos o no ciclo do planejamento decenal, a gente tem o cenário de referência e de sensibilidade, a superior para testar o efeito, por exemplo, da aceleração da economia, e inferior para verificar o planejamento de leilões e de potência se o cenário base se frustrar”, esclareceu ele. “Hoje nosso cenário base para o balanço estrutural é de PIB caindo em 5% e as suas diferentes repercussões setoriais”, acrescentou.

Barral comentou que o trabalho do balanço estrutural da oferta e demanda com esse cenário está em progresso. E a partir do momento em que as equipes de economia e carga finalizarem essas sensibilidades a EPE realizará rodadas complementares. “Queremos antecipar esses resultados em relação ao cronograma usual do PDE para, justamente, apoiar o plano de recuperação com a discussão de como organizar os leilões e coisas desse tipo, entre outras medidas complementares, para apoiar a recuperação a partir do setor energético.

Para Altieri Silva, da CCEE, essa revisão veio em boa hora porque será utilizada a partir do PMO de julho, pouco antes da segunda revisão ordinária. Até lá, estimou, já será possível ter uma ideia mais cara da extensão da crise e seus impactos na economia. O que é importante para trazer estabilidade e aderência à realidade do setor elétrico.