Com expectativa da definição da conta covid para a próxima terça-feira (26), a Equatorial Energia admitiu em teleconferência ao mercado nessa segunda-feira, 25 de maio, que os procedimentos de regulação tarifária não serão suficientes para conter os efeitos da crise mundial sob o setor, impactado pela inadimplência e perdas elétricas. “A luta é que a Aneel reconheça os ativos regulatórios e a forma como faremos isso é o que está sendo feito nesse momento”, comenta Augusto Miranda, diretor presidente da companhia, referindo-se às sugestões colhidas na semana passada pela relatora do processo de regulamentação do decreto 10.350/2020, diretora da Aneel Elisa Bastos.

Augusto disse esperar maturidade da agência reguladora e do governo, levando em consideração a robustez e essencialidade do setor elétrico para o país, e que tem discutido a suficiência do aporte de forma ativa com a Abradee e demais distribuidoras. “Em 2014 (MP 579) teve duas ou três tranches mas temos colocados que nessa conta de agora deveria haver uma fatia maior, até porque não sabemos a extensão dessa crise”, comenta, afirmando que um volume superior aos R$ 15 bilhões seria importante para ajudar na liquidez das empresas.

O executivo informou que irá se reunir nesta tarde com o ministro da economia, Paulo Guedes, e que também aguarda para amanhã uma possível definição da Aneel para a questão dos ativos como garantia à conta, com a definição de um teto a ser aplicado. “Imaginamos uma solução mais voltada para esse problema extraordinário que estamos vivendo, tudo bem se a forma for pedir uma MP, só que com regras diferentes. Esperamos que isso seja claro e que reflita os problemas específicos de cada distribuidora, e não em geral”, avalia.

Com um caixa de R$ 6 bilhões, o que lhe confere certa tranquilidade para os próximos balanços, a empresa empreendeu uma série de análises para analisar como as empresas passariam por um cenário de stress e que soluções poderiam ser feitas para compensar os resultados negativos. “A ideia é cortar despesas e aumentar arrecadação com o pagamento via internet, por exemplo”, pontua, informando que a companhia teve um crescimento de 24% na adesão ao cadastro de contas via e-mail e de 108% na quantidade de conversas e interações com a assistente virtual.

Já a inadimplência nos últimos 30 dias ficou em uma média móvel entre 9% a 15%, não computando ainda efeito integral do benefício concedido os clientes da Tarifa Social. A média já chegou a ter valores maiores, como em torno de 13% a 18%. “O desconto da tarifa social resultou numa elevação na ordem de R$ 80 milhões, que vai ajudar a mitigar esse efeito da inadimplência”, ressalta o presidente.

Segundo Miranda, o Grupo Equatorial registrou um aumento em 470 mil novos consumidores entre dezembro de 2018 até abril desse ano da classe. A receita atual é de R$ 120 milhões no mês nas quatro distribuidoras. “Temos feito muitas campanhas junto aos próprios governadores estaduais, no sentido de democratizar o programa e uma forma também de trazer dinheiro de fora do estado para dentro”, conclui.