Inadimplência na Celesc é menor que a média do mercado, afirma diretora

Companhia sentiu efeito da pandemia sobre as faturas apenas durante fechamento de duas semanas dos bancos e lotéricas e publica licitações para oferecer mais formas de pagamento via internet; Obras devem atrasar em 3 meses

O efeito da pandemia e das medidas de contenção social sobre a inadimplência na Celesc tem sido menor do que a média do mercado, disse a Diretora de Finanças e Relações com Investidores da empresa, Claudine Anchite, durante reunião da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais – Apimec SP, nessa sexta-feira, 29 de maio. A executiva explicou que a concessionária sentiu impactos apenas nas duas semanas em que agências bancárias e lotéricas fecharam devido aos decretos estaduais, visto que muitos clientes ainda fazem o pagamento na boca do caixa.

“Com a reabertura dos bancos tivemos uma retomada no pagamento das faturas e pudemos confirmar um fenômeno no estado, de que o catarinense é um bom pagador”, comentou, citando também um aumento em 5% no pagamento pelos meio eletrônicos, percentual considerado baixo na distribuidora, que informou estar com dois processos de licitação para oferecer a possibilidade dos clientes quitarem suas contas via internet, por meio de cartão de crédito ou boleto. A primeira já foi publicada e o segunda deve ir à apreciação do Conselho no dia 18 de junho.

O presidente da companhia, Cleicio Poleto Martins, afirmou que a empresa está conseguindo atender bem às solicitações mesmo com suas lojas fechadas, desde março, usando o telefone 0800, e-mail e as soluções digitais, que possivelmente receberão investimentos para expansão.

“Temos sentido um resultado excelente no call center e usando tecnologias como aplicativos digitais. À medida que os decretos permitirem vamos abrindo aos poucos as atividades comerciais adicionais, como novas ligações, fiscalizações, RDE (Ressarcimento de Danos Elétricos), microgeração e outras”, avalia, frisando que as decisões têm sido acompanhadas e discutidas semanalmente, como por exemplo o retorno do atendimento presencial, marcado para 22 de junho.

Atraso em obras

Além da retomada das atividades comerciais, o que será analisado especificamento para cada caso, Cleicio ressalta que o principal impacto da crise deve incidir sobre as obras, com um atraso previsto de pelo menos 3 meses por conta de questões financeiras e de logística. “São empresas, portos fechados, e a questão do dólar, o que cria certa instabilidade e nos deixam apreensivos. Mas o que é possível estamos fazendo acontecer”, pontuou.

Ele informou também que os projetos de P&D e Eficiência Energética estão com as verbas paralisadas até 30 de maio, e que por conta da conta covid esse prazo será estendido para que a Celesc avalie, ao término da consulta pública, quais serão seus direitos e deveres perante o próximo balanço financeiro.

Até então, a empresa possui um caso confirmado de contaminação por Covid-19 entre seus colaboradores, lotado no município de Lages, além de sete suspeitas.