Sobrecontratação de distribuidoras será problema a ser equacionado no pós-pandemia

Agentes pedem celeridade em votação de projetos sobre GSF e modernização do setor

A sobrecontatação de energia das distribuidoras vai ser um dos problemas que o setor elétrico deverá enfrentar no pós-pandemia. Em live realizada pela Delta Energia nesta quinta-feira, 9 de julho, o presidente da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica, Marcos Madureira, reforçou a importância de se equacionar esse problema. Segundo ele, o problema é real e foi amplificado pela pandemia de Covid-19. “Há o Delta-Covid, que é aquela sobrecontratação provocada pelo evento da pandemia”, avisa. Segundo ele, a associação vem sugerindo mecanismos para mitigar esses impactos, como a descontratação de algumas térmicas.

No mesmo evento , o presidente da Thymos Energia, João Mello, também chamou atenção para a sobrecontratação das distribuidoras. De acordo com Mello, isso deve ser enfrentado de forma objetiva com uma regulamentação adequada para as distribuidoras. Para Mello, a recuperação da carga vai ser um dos pontos decisivos que vão influenciar na sobrecontratação. Antes da pandemia, a sobrecontratação em 2020 estava em 11% e já está em 18%. Mario Menel, presidente do Fórum das Associações do Setor Elétrico, lembrou ainda que a conta-ACR foi feita por causa de uma subcontratação e agora está sendo feito um novo empréstimo pela sobre contratação. “Tínhamos que ter uma regulação e um anteparo legal para prever e melhor administrar essa situação melhor essa situação”, avisa.

A necessidade de aprovação dos projetos de lei que tratam de temas como o GSF e a modernização do setor também foi lembrada pelos demais participantes. O próprio Menel pediu a tramitação o mais rápido possível, ressaltando que caso o PL 232, que moderniza o setor elétrico, já estivesse aprovado e em vigor como lei há pelo menos dois anos, a resposta à crise seria muito mais eficiente. “Ele daria uma flexibilidade contratual que não temos o mercado cativo”, explica.

A importância da abertura do mercado livre para o pós-pandemia também foi lembrada por Reginaldo Medeiros, presidente-executivo da Associação Brasileira de Comercializadoras de Energia. Segundo ele, esse processo deve ser acelerado, já que está acontecendo hoje uma abertura equivocada com a Geração Distribuída, que vai ter uma forte expansão caso as regras atuais, que envolvem subsídios cruzados, não sejam revistas pela Aneel. “O mundo pós-covid vai cobrar muito mais eficiência do setor elétrico. Tem que aprovar a reforma do setor “, adverte. Ele pede uma arquitetura de mercado eficiente, tema que está contemplado no PL 232. “A energia barata só será obtida por meio da eficiência o modelo atual é indutor de ineficiência”, alerta.

Ele ainda  pediu celeridade na votação do PL 232. “Enquanto isso, as coisas continuam acontecendo e o consumidor está pagando uma conta muito cara”, alerta. Medeiros sugeriu que o governo federal resolva o GSF por meio de um medida provisória, assim como foi com a Conta-covid.