Uma visão estratégica da distribuição: como o mercado vai se estruturar no “pós-covid 19”

Discussão entre Siemens, ArcelorMittal, Abrace e Enel-GO abordou as expectativas com o custo de energia elétrica nas plantas além de temas como eficiência energética e digitalização

A transformação do setor de energia já era um processo em curso, estimulada por questões de ordens diversas, como a tecnológica, a econômica, a social e a ambiental. O ano de 2020, com a pandemia do coronavírus e todas as suas consequências, acelerou muitas mudanças. Agora, e cada vez mais, o mundo será permeado por soluções digitais. Realizado dentro da série “Energy Tech Talks”, do Grupo CanalEnergia/Informa Markets, e patrocinado pela Siemens, um webinar focado no mercado de energia pós-covid 19 debateu como o setor vai enfrentar os novos desafios do setor.

Para debater o assunto, participaram do evento o head da área de Distribution Systems da Siemens, Fábio Koga, o gerente de Energia e Gases na ArcelorMittal Brasil, Márcio Fenelon, o gerente de Energia Elétrica na Associação dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (ABRACE), Victor Hugo Iocca, e o head da unidade de Alta Voltagem da ENEL-GO, Roberto Vieira. O debate foi mediado pelo jornalista Maurício Godoi, da Agência CanalEnergia.

Diante de um cenário dinâmico, no qual serão cada vez mais frequentes veículos elétricos e consumidores que também produzem energia, os chamados “prosumers”, os investimentos em novas tecnologias serão fundamentais. Apresentando um pouco do que a Siemens já oferece em termos de tecnologias nesse mercado, Koga apresentou um breve panorama das linhas de produtos.

O portfólio de sistemas de distribuição de energia compreende as áreas de Future Grids (produtos e serviços voltados para integrar fontes variadas de energia, como a fotovoltaica, além de sistemas de armazenamento de energia; Sistemas (disjuntores para geradores, equipamentos outdoor, cubículos isolados a ar e a gás); e Serviços (operação e manutenção de plantas e subestações; contratos de manutenção especializada; extensões de garantia, entre outros). “Muitas tecnologias já disponíveis hoje são capazes de viabilizar a incorporação de diversas fontes de energia, ampliando a eficiência dos sistemas e aumentando a produtividade dos sistemas de distribuição”, comentou o executivo da Siemens.

Essa visão holística do setor é compartilhada pelo head da Enel, Roberto Vieira. “O setor elétrico passa por uma mudança importante, não sendo apenas um segmento de geradores, transmissores, distribuidores e consumidores. O crescimento das conexões – na figura dos prosumers – já é exponencial”, comentou Vieira, acrescentando que esse novo perfil está na indústria, entre consumidores residenciais e também no campo. “Nesse novo cenário, a distribuição também tem que assumir o papel de conectora desses novos prosumers”, acrescentou. “A informação a esses novos produtores é fundamental e vai significar investimentos em tecnologia (smart meters, por exemplo). Não seremos mais entregadores de energia, mas agentes de conexão entre os produtores e consumidores de energia”, previu o executivo.

Conta on-line e seus benefícios

Dentro desse mesmo contexto, surge outro desafio para os agentes do setor de energia: a informação destinada aos consumidores finais precisa ser cada vez mais clara e abrangente. Novas tecnologias já permitem incorporar fontes geradoras diversas, transformam consumidores em produtores de energia e possibilitam a esses consumidores escolher os melhores horários para consumir energia da rede externa e para vender sua própria energia para essa mesma rede. “No entanto, os investimentos em tecnologia no setor podem ser inócuos se a informação não chegar ao consumidor final para que ele possa definir essas novas modelagens de consumo”, apontou Victor Hugo Iocca, da ABRACE.

Koga aprofundou o tema. “Boa parte da tecnologia habilitadora às respostas do mercado já existe e, em grande escala, está até implementada. Um aspecto fundamental para viabilizar esse novo modelo de consumo e produção está na educação do consumidor, para que ele progressivamente passe a preferir a conta digital”, opina Koga. “Na conta em papel, ele só sabe o quanto consumiu depois que consumiu. Pela conta on-line, é possível acompanhar a evolução do consumo. Não se trata apenas de trocar o papel pelo digital, mas de mostrar os benefícios ao cliente, como o acompanhamento em tempo real do que está consumindo”, acrescenta.

Nessa mesma linha, Fenelon, da ArcelorMittal, comentou que “a digitalização é um fator importante porque cria uma base de dados capaz de descrever processos e hábitos de consumo, possibilitando ações de uso racional e redução de custos”. O gerente da siderúrgica citou, inclusive, o Centro de Operação Comercial de Energia da empresa, responsável pela medição de consumo de todas as usinas do grupo, gerando dados cuja análise direciona a gestão de energia da companhia.

O desafio das fontes intermitentes

Em um mundo novo, cada vez mais voltado para a responsabilidade ambiental, o apelo a fontes renováveis de energia tende a crescer. Com elas, o desafio da intermitência de recursos como ventos e luz solar. “A intermitência das fontes solar e eólica gera desafios ao sistema elétrico como um todo. Uma forma de abordar esse tema são as tecnologias de armazenamento já disponíveis, como o Energy Storage. Com ele, é possível produzir energia em períodos de maior insolação ou de ventos e armazená-la para despachar quando necessário”, explicou Koga.

Um dos benefícios do modelo de negócios da Siemens é possibilitar que o cliente utilize soluções com esse nível de tecnologia sem precisar dispor de grandes investimentos em ativos. “É possível incorporar essas soluções por meio de contratação de serviços, inclusive para uso sazonal, com aumento relevante de consumo localizado em determinados períodos do ano”, comentou Koga.

Vieira, da ENEL, também comentou o tema da incorporação tecnológica. “O investimento em tecnologia depende de regulamentação e adaptações na atual regulamentação”, avaliou o executivo. “Hoje, ainda é preciso trazer algumas soluções de fora do País, o que impacta em custos, gera impostos etc. Além do investimento de tecnologia, é preciso investir na estrutura, o que passa por um modelo regulatório que torne o negócio sustentável”, opinou Vieira.

Koga também opinou em favor da modernização das regras do setor. “Regulamentação modernizada gera investimento, aumento de eficiência, mercado livre. A disposição de tecnologias resulta em economia para o consumidor final. Sincronizar a modernização dos sistemas com a atualização da regulamentação é um importante desafio do setor, agora e nos próximos anos”, concluiu o diretor da Siemens.

(Nota da Redação: Conteúdo patrocinado produzido pela empresa)