Seca permite à Itaipu completar escaneamento das margens do rio Paraná

Equipes técnicas conseguiram mapear faixa antes invisível aos equipamentos, fornecendo dados mais precisos para subsidiar simulações hidráulicas e contribuir com a operação da usina

Ainda que o período de estiagem sob o Sul do país este ano tenha afetado a navegabilidade de rios e a produção de hidrelétricas, o fenômeno acabou permitindo às equipes técnicas da usina de Itaipu (Brasil/Paraguai, 14.000 MW) a realizar um trabalho inédito sobre o relevo e comportamento das águas no rio Paraná, por meio do escaneamento a laser de uma faixa das margens brasileira e paraguaia, abaixo da linha d’água e que anteriormente ficava invisível aos equipamentos, por limitação tecnológica. Segundo a binacional, a ação vai possibilitar uma operação ainda mais segura por meio do conhecimento técnico dos recursos hídricos da região.

O projeto tem sido realizado nos últimos anos pela Divisão de Reservatório do Paraguai (MARR.CE), através do emprego de tecnologias como a batimetria e o mapeamento das margens acima da linha d’água, com o desenvolvimento de modelos digitais de diversas áreas da UHE, incluindo reservatório, barragem e a calha do rio, a jusante. No caso, a seca se configurou como uma oportunidade única para completar o trabalho.

Com uma das mais baixas vazões já registradas na história, essa parte antes invisível ficou exposta e passível de ser escaneada com os equipamentos que realizam varreduras a laser, e que possuem grande precisão e podem ser posicionados a até um quilômetro das superfícies a serem modeladas.

Considerando o talvegue – linha de maior profundidade do rio – o trabalho realizado percorreu uma distância de 22 quilômetros, da barragem à foz do rio Iguaçu. Ao todo, foram escaneados 173 hectares da margem brasileira e 161 da paraguaia, por meio do scanner P2U (Pegasus Two Ultimate), para mapeamento móvel a partir de uma embarcação, e do ScanStation P50, para mapeamento fixo, a partir de pontos selecionados na margem brasileira, uma vez que não foi possível desembarcar na margem direita do rio devido às limitações pela pandemia de covid-19.

O Iguaçu influencia o nível do Paraná e, em algumas circunstâncias de cheias, também pode influenciar a geração de energia em Itaipu. Daí a importância de se ter essa modelagem completa para ter dados ainda mais precisos e acurados para subsidiar simulações hidráulicas e, indiretamente, contribuir com a operação da usina.