Indústria de cerâmica apoia a modernização dos setores elétrico e de gás

Energia é um dos principais custos de produção do segmento, que vê no gás natural oportunidade para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros

A indústria de cerâmica para revestimentos apoia as reformas do setor elétrico e de gás natural para ter mais competitividade no mercado. Em live realizada pela Thymos Energia na última terça-feira, 29 de julho, representantes do segmento lembraram que entre 40 e 45% do custo de fabricação de um metro quadrado de cerâmica é energia. O país é o terceiro maior produtor do mundo, segundo consumidor e sexto exportador, sendo o oitavo setor consumidor de energia elétrica e o segundo maior consumidor de gás natural.

De acordo com Otmar Muller, do sindicato da Indústria da Cerâmica de Santa Catarina, a pandemia mostrou que a regulação do mercado de energia foi criada para um cenário de normalidade. No entanto, o modelo se mostra ineficaz para responder as choques de mercado.

Segundo ele, o segmento de cerâmica teve uma queda grande no faturamento em abril, mas em maio e junho houve recuperação. Ele não vê o setor no fim do ano do mesmo tamanho que no fim de 2019, já que a ociosidade agora é maior que a daquela época pelos investimentos realizados. “Esse ano vai ser um ano de prejuízo para a indústria de cerâmica”, aponta Muller.

Ele pede uma tarifa de energia mais barata, mas reconhece que a sua redução não é fácil. Muller salienta os impostos e encargos criados que acabam deixando a produção mais cara e o produto menos competitivo. “Temos que atacar essas distorções para ter energia mais barata e produtos mais competitivos”, observa.

Em Santa Catarina, os encargos consomem 40% do preço da energia. Para o presidente do Fórum das Associações do Setor Elétrico (Fase), Mario Menel, que também participou do evento virtual, a preocupação atual de todos os segmentos é a retomada da economia,  o que traz incertezas e inseguranças. “Pode impactar a sustentação dos segmentos do setor elétrico no futuro”, diz.

Segundo Menel, o isolamento social acelerou o desenvolvimento tecnológico e isso pode afetar o negócio de distribuição de energia, por exemplo. Mais uma vez o executivo citou a necessidade de aprovação de projetos de lei que envolvem o mercado de energia no Congresso Nacional, como a lei do gás e a modernização do setor elétrico.

Manfredo Gouvêa Júnior, presidente do Conselho Administrativo da Anfacer (representante dos fabricantes de cerâmica para revestimento), lembrou da importância da aprovação do PL 6407/13, a nova lei do gás natural.  “O PL está maduro para aprovação. Temos certeza que a Câmara dará esse grande passo e trará justiça para a tarifa do gás”, afirma.

Para Gouvêa Júnior, a crise fez com que o país tivesse que rediscutir a questão energética. Ele lembra que a crise ainda não acabou e que há incerteza sobre o momento. “Temos que projetar o amanhã dentro de um cenário de incertezas que não se sabe onde há curvas descendentes de casos”, avisa.

Modicidade tarifária

A indústria de cerâmica tem se preocupado com a temática da energia. O uso do gás natural permitiu uma evolução tecnológica que evitou a emissão de 4,6 milhões de toneladas de CO2,  o mesmo que nove mil campos de futebol. As energias renováveis também estão no radar, com pesquisas em  biometano e hidrogênio. Processos de cogeração também podem trazer mais eficiência para o setor.

Para o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Efrain Cruz, a complexidade do setor, com contratos a longo prazo,  faz com que as soluções demandadas não sejam simples. Ele citou a atuação da agência na estruturação da Conta-Covid. Segundo o diretor da Aneel, a modernização do setor vem com o objetivo de trazer modicidade tarifária. “Como pode um país com uma matriz tão renovável ter umas das tarifas mais altas o do mundo?”, questiona.  O diretor contou ainda que a Aneel está trabalhando com o Governo Federal em uma medida provisória que deverá criar um ambiente de modicidade tarifária.

O diretor da Aneel ressaltou a decisão do Supremo Tribunal Federal que retirou o ICMS da base de cobrança do PIS/Cofins na tarifa da Celesc, que deverá ser ampliado para todo o Brasil. Cerca de R$5 bilhões serão devolvidos aos consumidores. A  decisão deverá valer para outros estados, como o Rio de Janeiro.