Garantias financeiras serão saudáveis para derivativos de energia

Debate em live trata de temas como ciclo de vida de instrumentos de proteção e funcionamento de liquidação financeira, entre outros assuntos.

As garantias financeiras em contratos de derivativos de balcão não são obrigatórias, mas serão um instrumento importante para a gestão do risco de crédito e para assegurar as transações, avalia Carlos Alcântara, superintendente de Captação Bancária, Derivativos e DCMda B3, em live realizada em parceria com o Grupo CanalEnergia – Informa Market.

Numa contratação bilateral, como o derivativo de balcão, as partes podem estabelecer previamente todas as condições. As garantias financeiras estão ligadas à etapa da liquidação do contrato e ajudam a mitigar o risco de inadimplência pela contraparte, elemento natural nesse tipo de operações.

A avaliação do executivo é de que deve ser comum neste ambiente a exigência das garantias, que podem ser ativos financeiros com grande liquidez, como títulos públicos e CDBs, no momento da assinatura do contrato, na fase de pré-registro. “Não é obrigatório, mas é saudável”, disse Alcântara na live.

Tais instrumentos são regulados pelo Banco Central e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com registro obrigatório em uma infraestrutura de mercado, como a B3, a fim de assegurar mais transparência ao mercado.

O debate buscou esclarecer temas como o ciclo de vida de um derivativo, como funciona o registro dos contratos, o funcionamento da liquidação financeira e uso de garantias, bem como o papel corretoras e da própria B3 no processo.

Um dos objetivos da B3 é educar o mercado para que os agentes possam compreender como é o funcionamento dos derivativos e como eles podem ser úteis na gestão do risco pelos participantes, além de desmistificar o instrumento de hedge. A B3 atua no setor elétrico desde 2015 como registradora dos contratos de balcão.

Luiz Gustavo Figueiredo, diretor Comercial da Usina Alta Mogiana, destacou que os preços da energia são muito voláteis, o que representa um aumento de risco, uma vez que  os geradores podem vender energia por preços muito altos ou muito baixos. Isso porque a volatilidade pode ser ruim para o fluxo de caixa – dificultando a vida de empresas com baixa receita. Com isso, a precificação da energia com antecedência e a correta gestão do risco de preço ganham ainda mais importância para as usinas.

“E a energia elétrica, diferentemente de produtos como o açúcar e o álcool que são produtos físicos, não tem como colocar num armazém e esperar o preço melhorar”, disse o executivo, que espera poder contar com esses instrumentos de proteção para utilizar nas próximas safras.

A usina passou a atuar na cogeração de energia desde 2002 e atualmente sua produção, a partir da produção de 7,5 milhões de toneladas de cana de açúcar por ano, é capaz de atender o equivalente ao consumo de uma cidade de 150 mil habitantes no período de safra, que ocorre no período seco para a hidreletricidade, afirma Figueiredo.

Nesse aspecto, o que se espera desse mercado é a liquidez e a possibilidade de se financiar o setor, com a entrada dos mais diversos tipos de investidores, inclusive empresas não financeiras e participantes do setor elétrico, como geradoras, e até mesmo pessoas físicas, como ressalta Pedro Lanera, gerente de Operações da corretora Nova Futura.

Ele enxerga um grande potencial de desenvolvimento do mercado de derivativos frente à busca por maior proteção contra riscos, e entende que a formação inicial do mercado demanda uma série de ações para aproximar as partes – algo vivenciado pela Nova Futura na formação do mercado de derivativos para açúcar e etanol.

“O que eu vejo é unir, entender as necessidades de cada um e tentar buscar as contrapartes no mercado, com a comercializadoras, clientes finais”, afirmou Lanera.

Inicialmente como trader de derivativos de produtos agropecuários, especialmente café, algodão e boi, a corretora passou a operar com os demais produtos do mercado financeiro desde 2009, inclusive com registros de balcão.

Lanera ressaltou que a corretora é um agente natural para exercer o papel de intermediar as operações com derivativos, agindo em alguns momentos como um consultor do mercado.Ressaltou ainda que os custos na B3 são baixos e o processo de contratação da corretora é fácil – após o cadastro, o agente está apto a operar no mercado.

Sazonalidade

Nesse aspecto, o derivativo ganha importância na geração por causa das características sazonais, uma vez que muitas usinas possuem contratos de comercialização com prazos acima de um ano – no caso da biomassa, na entressafra, é exigida a compra de energia de outros agentes para atender ao contrato – demandando gestão de preços para evitar descasamento de contratos.

Neste caso, complementa Alcântara, para o trader, o derivativo surge como alternativa, considerando o alto giro da energia em relação à entrega física. Entre as alternativas de gestão são contratos a termo de PLD, com espaço para escolha de submercados, prazo, preço e quantidade, ou opções, que abre espaço para compra de energia em determinadas condições de preço. Essa ferramenta, segundo o superintendente da B3, é importante em cenários de imprevisibilidade.

Há ainda a possibilidade de se contratar swaps de energia, para compensar descasamentos entre submercados – como, por exemplo, estar comprado em um e vendido noutro. “Quando se fala de derivativos de balcão, há espaço para customização, com combinação de instrumentos e definição de características para o contrato”, explicou.

Embora a receita com energia seja menor na comparação com o faturamento com a produção de açúcar e etanol, a eletricidade excedente é representativa quando se trata de Ebitda (que é um indicador de geração de caixa), porque a receita é gerada depois que a cana já entrou na usina, “pegando carona na receita já ocorrida”, complementa Figueiredo.

(Nota da Redação: Conteúdo Patrocinado produzido e oferecido pela B3)