A operação da nova matriz elétrica em um futuro próximo aponta para um cenário de geração compulsória, o que torna imprescindível harmonizar essas restrições com o planejamento da operação do sistema. A avaliação é do diretor de Planejamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Alexandre Zucarato, que foi um dos palestrantes do Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico.
O Plano de Operação Energética do ONS para os próximos cinco anos projeta inflexibilidade térmica de 7% em 2020 e de 8% em 2024. Enquanto nas térmicas a inflexibilidade se dá em função do combustível, nas geração solar e eólica ela ocorre por conta das características das fontes, lembra Zucarato.
Há ainda a situação das hidrelétricas, que tem restrições operativas resultantes do uso múltiplo das águas. “Cada vez mais a sociedade entende essa infraestrutura como de uso múltiplo. Vai desde hidrovia a lazer”, disse em entrevista após a palestra. Para o diretor do ONS, essas restrições tem que estar explicitas no planejamento.
Em um universo de médio prazo, o operador enxerga o aumento da participação das renováveis não convencionais, o avanço das hidrelétricas sem reservatório e a redução da capacidade de regularização. Não há déficit no atendimento da demanda no horizonte 2020/2024, e mesmo considerando um cenário de sensibilidade, onde se retira uma parte da oferta, a percepção é de que as sobras permanecem, mesmo que de pequena monta.
Na análise de um cenário de longo prazo para a matriz, o executivo do ONS valeu-se de um estudo contratado pela agencia alemã GIZ sobre a integração da energia renovável na matriz brasileira. O documento, que ainda não foi oficialmente divulgado, aponta o parque hidrelétrico como essencial para possibilitar a penetração em larga escala de fontes variáveis como eólica e solar. A matriz seguirá marcadamente de baixa emissão, e a expansão da Rede Básica também é vista como fundamental para a integração dessas fontes.