Setor elétrico é o destino de 43% dos investimentos chineses no Brasil

Em 20 anos, relação econômica entre países deu salto

Maior parceira comercial do Brasil, a China vem apostando no setor elétrico verde e amarelo. Em painel temático realizado no Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico realizado na última quarta-feira, 30 de setembro, a Diretora Executiva do Conselho Empresarial Brasil-China, Claudia Trevisan, revelou que hoje cerca de 43% do estoque de investimentos chineses no Brasil são destinados ao setor elétrico. “Houve um aumento expressivo que transformou o segmento no principal pilar dos investimentos chineses no Brasil”, explica.

O setor de petróleo e gás vem em seguida, com 28% dos investimentos chineses. Segundo a diretora do Conselho, há 20 anos a relação econômica entre os dois países era pequena, mas veio se intensificando e  em 2010 houve o maior volume de investimentos, de US$ 13 bilhões. Na ocasião, a maior parte foi para óleo e gás, mas o setor elétrico já participava. A partir de 2014 houve um crescimento na área de energia elétrica.

O CEO da CTG no Brasil, Zhao Jianqiang, lembrou que a empresa visitou o país pela primeira vez na década de 90, para conhecer a usina de Itaipu. Ele contou ainda que considera o país como um mercado fundamental e que quer ampliar a participação por aqui. O executivo diz se impressionar com o modo como o Brasil desenvolve o seu setor elétrico, baseado na energia limpa. “Isso está em linha com o que a CTG faz no mundo inteiro”, avisa.

Zhao Jianqiang considera o Brasil um mercado fundamental e que a empresa mira o longo prazo. A modernização das UHEs de Ilha Solteira e Jupiá, que consomem cerca de R$ 3 bilhões em investimentos, foi lembrada por Jianqiang como um dos maiores investimentos da área no país.

Qu Yuhui, ministro-conselheiro e porta-voz da embaixada da China no Brasil lembraram que as  empresas chineses conseguiram êxito nas suas investidas no Brasil nos últimos anos , o que lhes deu experiência para a sua expansão. Para ele, o pós- pandemia traz desafios e oportunidades para os países emergentes. “Não sabemos o quanto vai durar a pandemia, isso é uma incógnita”, aponta.